domingo, 15 de julho de 2007

Caminhos...

3 comentários:

Antó(nimo) disse...

O Café da Aroeira
Mesmo ao lado da tua mesa saboreio um livro (Montalvan?). A vossa conversa fez-me interromper momentaneamente a leitura. O que era uma privada e ternurenta troca de impressões entre cúmplices de um percurso transformou-se num espaço público.
Mantive-se discreto e silencioso. Bastava-me ter uma visão antropológica das pessoas, dos gestos, das formas, dos movimentos.
Quem seriam? Que fariam? Como pensam? Que percursos?
A minha curiosidade (sempre) acentuou-se quando reparei que tu respondias a todos, a qualquer pessoa (anónimo ou não) mesmo que não estivesse na vossa “mesa”.
Respondias “olhos nos olhos” afirmando: “Este comentário é mesmo para ti. Regressa sempre”
Como ficar indiferente aos teus “olhos”?

“É na câmara escura dos teus olhos
que se revela a água
água imagem
água nítida e fixa
água paisagem
boa nariz cabelos e cintura
terra sem nome
rosto sem figura
água móvel nos rios
parada nos retratos
água escorrida e pura
água viagem trânsito hiato
(...)
Chego. Mudo de fato. Calço a idade
que melhor quadra à minha solidão
e saio a procurar-te na cidade
contrastada violenta negativa
tu única sombra murmurada
única rua mal iluminada
única imagem desfocada e viva. “
Ary dos Santos

Foi assim que entrei neste espaço... neste tempo.

Teka disse...

Observada
Notada
Surpreendida
Lisonjeada
Agradecida
Acarinhada
Aconchegada
Pensativa
Tranquila
Curiosa
e...

Fica!
Faz desta também a tua mesa.

Antó(nimo) disse...

Hesito perante este convite.
A revolução é mais saborosa que a democracia, a descoberta seduz mais que a ocupação... a conquista deve ser vivida.
O Gin Tónico ainda está longe do fim e o livro de Montalbán chama-me
“... esperava um discurso dissuasivo de Carvalho mas o detective limitou-se a arquear as sobrancelhas.
Você também duvida?
- Todos os dias.
- E como o ultrapassa?
- Deixando de duvidar.
- De quanto em quanto tempo?
- Todos os dias.
- Admirável essa tensão destruidora e simultaneamente construtiva.
- Talvez as mesmas dúvidas sejam menos abstractas ou transcendentes que as suas.
- Todas as dúvidas são abstractas e transcendentais porque Deus, que é certeza, nos colocou no cérebro a possibilidade da dúvida.
- “Duvida , meu filho, da tua própria dúvida”, disse Deus ao marquês de Marianao.
- Está a ver. Isso não sabia. E porquê ao marquês de Marianao?
- Sabe-se lá. Lembre-se da história exemplar de Santo Agostinho e do menino que tentava meter o mar num barquinho que tinha feito na areia da praia.
- Excelente exemplo! Vejo que é um bom polemista. Vamos passar uma viagem excelente...”

Olhei em volta no café. Estavam muito menos pessoas.
Bebi um novo gole de Gondon´s .