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sábado, 19 de janeiro de 2008

Crise de Identidade...


Tenho sempre a sensação, quando me dirijo a serviços públicos para tratar de “assuntos”, que chego na hora errada ao local errado.
Peculiaridades à parte, sobrevivo, apesar de tudo, à minha primeira incursão no Centro de Saúde a que pertenço.

Em casa, olho para o papel da inscrição no dito centro que serve de cartão e que me abre as portas para este nosso maravilhoso sistema de saúde.
O cartão, só estará pronto daqui a 9 meses.
Nove meses??? Pergunto-me, quem fará os cartões?

Incrédula, olho as letras que me identificam.
Teka
Sexo: MASCULINO

Com a auto-estima arrasada pela febre e pelos dias a deambular sentimentos e pensamentos, por lugares nada recomendáveis, olho-me ao espelho.
Realmente, o meu buço e as roupas pouco femininas, vestidas à pressa e sem gosto, falam por si.
E não viu a senhora, os meus pelos nas pernas.

Como diria o meu pai, num encolher de ombros, sábio:

“É o que temos!”

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Passa a outro e não ao mesmo...


Entusiasmada começou o dia, o ano, a vida...
“Bom Dia, Futuro!”
Subiu a escada energicamente.
Não saltou a rotina da sua bica matinal.
Trocou os sorrisos e as frases circunstanciais com que se começam as manhãs.
Consultou a agenda.
Desafios previstos.
Seria um excelente dia.
Batem à porta.
“- Temos um problema!”
Levantou-se, sorriu, avançou.
“- Tudo se resolve!”
À sua frente uma mulher madura, desgrenhada e desalinhada, soluçava.
Sentou-a, conteve-a no seu sofrimento interior, na sua amargura sentida.
A mulher tossia, fungava, gesticulava numa urgência de largar e afastar de si sentimentos, agruras, vida perdida e fluidos... muitos fluidos.
Incongruente, procurou discretamente com o olhar, a sempre presente caixa de lenços de papel.
“Bolas acabaram!”
A mulher desidratava mais e mais, visivelmente perturbada e entupida.
Por entre um discurso entrecortado por sonoros soluços e projectados espirros, lá ia secando, como podia, às mãos, às mangas do casaco e ao cabelo, todo o mal estar que sentia.
Serenamente, num esforço de concentração sobre-humano, abstraiu-se de tantos líquidos mal parados e escutou o mais empaticamente possível.
Passada a tempestade instala-se sempre a bonança e a mulher, visivelmente mais calma, levanta-se. Com um sorriso meigo e um ar pacificado, estende-lhe agradecida a mão direita para selar a despedida.
Acompanha-a à porta na ânsia secreta que a mão estendida procure um bolso ou um lenço inexistente.
Abre a porta e vira-se lentamente.
Esboça um sorriso. Com coragem respira fundo e enfrenta a mão, ainda molhada, que não baixou.
“- Obrigada! Sinto-me muito melhor.”
Desmonta o sorriso, olha a mulher desgrenhada que se afasta.
Contempla a mão e suspira.
“Ossos do ofício!”

Dois dias depois, em casa, a alucinar com quase 40 graus de febre, diz mal da sua vida.
Sente-se triste, impotente, desgrenhada, presa e só.
“Qual Bom Dia Futuro?”

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Mas não estaremos todos VERDES?

Em tempo de balanços, veio-me à ideia uma frase que recorrentemente, num dos meus grupos de amigos, repetimos, ainda hoje, em tom de brincadeira, ironia, quando a nostalgia nos bate à porta:
"Mas não estaremos todos VERDES?" (lembras-te M?).
No tempo em que éramos todos mais novos e tínhamos realmente a vida mais "fácil" e "sobravam" muitas horas para passarmos juntos bons bocados, alguns de nós gostavam de escrever e partilhar histórias, entre outras actividades.
Há uns 14 anos, num momento em que andava embrenhada em manuais freudianos e não só, escrevi, para me libertar do cansaço e do stress, a história do homem que tinha um problema com a cabeça e com a cor verde. Imediatamente, saiu o mote que serviu de base para a frase que nos acompanha desde então e ainda nos faz soltar uma boa gargalhada.
Acho que nem eu, nem mais ninguém a leu, desde esses tempos. No meio dos meus papelinhos hoje encontrei-a e não resisto em deixá-la aqui para a posteridade, porque esta é uma historia com história.
Esta é a verdadeira "private joke", alguns vão entender, outros vão achar disparatada a história e este meu post.
Corro o risco!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Tempo... desejado...

Inverno!!
Dias frios, ventosos, cinzentos, molhados...
E lá dentro, uma sala, uma lareira que crepita, uma mesa...
Na mesa uma sopa fumegante e reconfortante...
Duas velas marcam presença e,
Convidam a uma noite com trocas de histórias vivias ou sentidas...
Olhos que se colam,
mãos que se espreitam,
pulsão que pulsa,
corações que se atrapalham,
lábios que se olham...
Conversas que se cruzam, que se completam, mas que nunca se esgotam e nunca se afastam...
Vozes que não sabem gritar,
Que se aninham como se uma fossem...

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Ar Condicionado...

Amanheço para mais uma semana de ritmos e rituais adivinhados.
Atravesso esta minha Lisboa que hoje se veste de sombra e acordou lavada.
Enfrento o dia, já esquecida do que é trabalhar com o “ar, condicionado” pela temperatura que faz lá fora.
Estranhamente hoje tenho mais “clientes” que espreitam pela porta do meu gabinete e simpaticamente insistem em desejar-me os “bons dias” e saber como estou, várias vezes, ao longo de todo o dia. Entram, sentam-se e alongam-se, nos relatos das suas aventuras de “fim-de-semana”, nas suas perguntas, nas suas preocupações.
Hoje, foi o primeiro dia de frio!
Hoje, foi o primeiro dia em que liguei o aquecimento que todos os anos trago de casa.
Amanhã vou trocar o meu colar pelo cachecol e preparar-me para mais “clientes” simpáticos/enregelados que vão continuar a querer saber como estou, várias vezes por dia, pelo menos até chegarem os primeiros dias solarengos da Primavera.
Como é possível aprender e ensinar com frio?

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

II Grupo de Encontro... o primeiro...


Inscrevi-me a medo, sem saber o que iria encontrar. O panfleto que tinha à frente em nada me esclarecia. Reunião comunitária, reunião de grande grupo, reunião de pequeno grupo eram termos que não me diziam nada. Afinal qual seria o tema?
O facto de ficar “fechada” durante 3 dias com pessoas que nunca tinha visto assustava-me. Por outro lado era um desafio que me atraía. Saber até onde eu poderia ir, pôr-me à prova perante uma situação nova, fez-me pegar na mala e “embarcar” de olhos vendados, numa viagem cujo destino eu desconhecia.
Os primeiros minutos foram desconfortáveis, toda a azáfama da chegada de pessoas incógnitas que na sua maioria se conheciam entre si, a distribuição dos quartos, a perspectiva de adormecer e acordar no quarto com uma pessoa desconhecida para mim, não contribuíram em nada para a minha convicção de querer ser uma “Rogeriana” um dia.
O primeiro momento foi assustador, setenta pessoas todas sentadas à volta de uma sala, numa roda fria e silenciosa, onde só intervinha quem queria, numa liberdade, para mim, incómoda. No final da primeira reunião alguém dizia que no último dia seriamos um grupo, coisa que me pareceu impossível.
Fui percebendo ao longo dos dias, dos vários momentos e das sessões que o grupo seria o que quiséssemos fazer dele, deixando-me também numa posição pouco confortável, uma vez que sentia, como membro do grupo, alguma responsabilidade de o levar a bom porto, ou pelo menos ter um papel activo. A pouco e pouco, também me apercebi que era aceite quer interviesse ou não, quer emitisse uma opinião ou fizesse um desabafo. A partir do momento em que me senti aceite, estranhamente, as ideias e os sentimentos fluíam em catadupa com uma urgência inexplicável. Quase não intervim mas senti-me confortável na minha introspecção acompanhada. Ao longo dos dias senti-me irritada com alguns elementos, empática com outros, as lágrimas saltaram dos meus olhos, ri, passei por todas as tonalidades dos meus sentimentos.
Na última sessão fiz um balanço dos dias. Curiosamente não me tinha sentido só, apesar de não conhecer ninguém, não tinha feito diferença o facto de ter dormido com uma estranha, convivi, conversei e diverti-me com as setenta pessoas e acima de tudo agora elas não eram caras incógnitas mas sim rostos com personalidade própria unidas por um sentimento de empatia e um percurso conjunto. Tinha sido uma experiência única.
Ao pegar no carro para regressar a Lisboa não percebi logo o que tinha mudado em mim, mas senti uma paz interior, uma vontade de mudar o mundo, uma força que vinha de dentro.
Mal eu sabia que no dia seguinte toda essa força iria ser necessária para enfrentar uma partida que a vida me iria pregar...
E foi assim que me tornei uma "Rogeriana" convicta, experienciando na pele as técnicas da Terapia Centrada no Cliente/Abordagem Centrada na Pessoa que venho estudando e aperfeiçoando na minha prática profissional ao longo dos últimos anos.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

I Grupo de encontro...

Pela quinta vez, suspendo a minha vida durante três dias e rumo, este ano a Palmela, com o mesmo frio na barriga de sempre mas com a certeza (de sempre também) de dar mais um passo consistente na minha formação pessoal e profissional.

Para trás deixo, exausta, o dia atulhado de reuniões, telefonemas, jovens que atendi, outros que não consegui atender, conversas interrompidas, e até um mal entendido que me deixa desconfortável. Deixo também a família e os amigos descansados porque já vão estando habituados a estas minhas ausências e certos de que não entrei nem para uma seita, nem para uma religião desconhecida e, que apesar de não entenderem, ainda muito bem, o que "por lá" se passa, sabem que voltarei sempre a "velha" Teka.

São 20h, entro na mesma quinta, onde me iniciei e não posso deixar de recordar aquele Novembro de 2002. Vim aqui também, este ano, para me reconciliar, para encerrar de vez o único capítulo que está entreaberto daqueles tempos, porque muito marcado por este lugar lindíssimo.

Como veterana de Grupos de Encontros venho munida das ferramentas básicas: abertura, responsabilidade, vontade para estar comigo e com os outros, alegria por rever alguns amigos, tampões para os ouvidos, borracha de água quente, agasalhos extras.

Ao fim de 3 dias intensos parto, exausta também, mas com a convicção inabalada de que este caminho que escolhi é o MEU CAMINHO...

Até para o ano!Carl Rogers dedica parte da sua vida profissional a desenvolver e experimentar a mudança de atitudes, comportamentos em grupos intensivos e organizados para o efeito.
Corria a década de 40 do séc. passado e a investigação na área do desenvolvimento e aperfeiçoamento da comunicação e relações interpessoais bebia conceitos desenvolvidos por Kurt Lewin, pela Gestalt e pela Abordagem Centrada na Pessoa.

Rogers refere que com a desumanização das sociedades, em que o outro não tem espaço e a constante luta para vencer o dia a dia e sobreviver a todas as necessidades materiais, frequentemente esquecemos as nossas necessidades psicológicas. Necessidades essas que consistem na urgência da vivência de relações próximas e verdadeiras, bem como a manifestação espontânea de sentimentos e emoções num clima de aceitação incondicional.

Surge o interesse pelas experiências intensas de grupo a que Rogers não é alheio, introduzindo e desenvolvendo de forma sistemática, uma modalidade a que denominou "Grupo de Encontro" com a finalidade de "acentuar o crescimento pessoal e o desenvolvimento, o aperfeiçoamento da comunicação e das relações interpessoais, através de um processo experimental." Carl Rogers (1970).

Todos os Grupos de Encontro têm, em regra, algumas características comuns:

  • Experiência intensa de grupo durante várias horas;
  • O grupo não é estruturado;
  • Existência de um facilitador cujo seu papel é fundamental para o funcionamento construtivo do grupo;
  • É construída uma sensação de comunicação autentica;
  • Facilitação da expressão de sentimentos e pensamentos;
  • O grupo caminha na linha dos objectivos e direcções pessoais;
  • O grupo concentra-se no “processo e na dinâmica das interacções pessoais imediatas” (Rogers, 1970);
  • Um clima de confiança mútua.

Desde 1984 que em Portugal são promovidos "Grupos de Encontro segundo o modelo de Carl Rogers.

Para saber mais:

http://www.appcpc.com/

Rogers, C. (1970). Grupos de Encontro. 8ª edição. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

domingo, 21 de outubro de 2007

A magia dos sabores e dos sentidos da Bahia...



















À beira do mar, o acarajé é Rei, acompanhado da Brahma gelada e de partilhas especiais interrompidas por mergulhos no mar que energizam a alma, neste lugar amado do meu mundo, onde o corpo fica mais quente, mais salgado, mais livre, sentindo à flor da pele a beleza de estar aqui e poder viver a emoção de ser especial.



















Dentro de portas, o carinho com que se recebem os amigos, com que se aguçam paladares, com que se doam momentos de vida, faz valer a pena estar vivo, aproxima corações, alimenta recordações que encurtarão a distância... quando as saudades apertarem... quando os dias estiverem tristes... quando eu "morar no interior do meu interior"...




















E quando um dia a noite chegar
E quando o beija flor não me vier mais cumprimentar
E quando o pássaro preto não me encantar mais com a sua alegria e não me pedir que acaricie as suas penas suaves
E quando os cachorros não me saudarem
E quando a jarra dos antúrios não animar mais o meu quarto
E quando eu já não puder abrir o meu livro perfumado, das pontes
E quando as mãos não se conseguirem entrelaçar
E quando os olhos não se puderem tocar
E quando as persianas se fecharem...

Não faz mal...
Estará tudo inviolado dentro de mim!


quinta-feira, 18 de outubro de 2007

domingo, 14 de outubro de 2007

O Sítio da Casa Amarela...


Hoje penso como a minha vida mudou...
Acontecimentos que me privaram de muitas coisas, mas que também me trouxeram muitas outras.
O “Sítio da Casa Amarela” (4 anos passados) continua a ser o porto de abrigo das minhas emoções e dos meus sentimentos mais verdadeiros, transmite-me a mesma calma, permite-me olhar para dentro de mim e dá-me a liberdade de partilhar o que sinto, o que penso, sentir-me bem recebida, bem acolhida e amada no mais puro sentido da palavra AMOR.
O "Sítio da Casa Amarela", um lugar mágico que estranhamente faz parte de mim, onde posso ser quem sou.

Um dia Karen Blixen escreveu: “I had a farm in África”.
Eu, tenho a sorte de ter uma “Casa Amarela”, no Brasil, onde posso guardar os meus livros.


sábado, 4 de agosto de 2007

Momento único...

MADRIGAL, s.m. (it. madrigale).

Pequena composição poética, que exprime um pensamento fino, lisonjeiro e terno. (...)
"De resto, e se é verdade que somos um país de poetas, resta sublinhar a mestria do produtor na escolha do nome. Perfeito para o vinho, pelo sentimento que manifesta: uma variedade lírica que exprime com garbo e galanteio simpatia pela formosura feminina. Já pelo tratamento, tratando-se de branco sério, vinificado em madeira, não será tão leve e ligeiro como o madrigal poético. Mas este, na origem, em Itália, era cantado sem acompanhamento. Enquanto o vinho, apoiado no sentido gastronómico do seu criador, é... outra música!" http://www.winept.com/
Madrigal


Tu já tinhas um nome, e eu não sei
se eras fonte ou brisa ou mar ou flor.
Nos meus versos chamar-te-ei amor.

Cantas. E fica a vida suspensa.
É como se um rio cantasse:
em redor tudo teu;
mas quando cessa o teu canto
o silêncio é todo meu.
Eugénio de Andrade

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Futuro...


Dormi com a minha janela aberta...
Senti o perfume das flores.
Senti o mar.
Senti que vinhas com o vento.
Senti que me tinhas deixado um antúrio na beira da cama.
Quero ir com as estrelas e encontrar-te...
Quero dizer tantas coisas ao teu ouvido...

Hoje deixo de novo a minha janela aberta...

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Encontros perfeitos...

Hoje, a tomar o meu café matinal, reparei na inscrição no pacote de açúcar:

“Um dia encho-te o quarto de flores.”

Pensei no quanto gosto de flores, pensei no quanto gosto de conversas tranquilas, pensei no quanto gosto de um jantar íntimo de olho no olho, pensei no quanto gosto de toque, pensei no quanto gosto de ficar no meu sofá branco a partilhar a minha manta. Pensei no meu chá de erva príncipe...
Pensei...

E agora, neste meu futuro...
Vou com o Mundo...


domingo, 8 de julho de 2007

À Tua...

HOJE é um dia diferente!
HOJE lembrei-me de uma música da Marisa Monte, musa que sempre me enche a alma pela sua musicalidade, cor, sensualidade e beleza das palavras.
No nosso Coliseu cantou pela primeira vez uma canção composta, uns dias antes, para aliviar as saudades de um amigo/irmão durante a sua longa digressão pela Europa. Cada vez que a toca ela sente-o presente.
Foi um momento único que me fez molhar os olhos e emocionou por dentro, desencadeando em mim uma onda de saudade profunda: pelas pessoas que fizeram parte da minha vida e nunca mais vou ver; pelas que não vejo porque estão distantes; pelas pessoas com as quais nunca mais me cruzei.
HOJE acordei de manhã e fiz-me à estrada, de Peniche à minha Lisboa pensei e senti muito. Abri a porta de casa e enrolada no meu sofá branco ouvi e senti de novo essa canção que cura saudades. Ouvi e senti uma, duas, três... uma e outra vez para te sentir mais perto.
HOJE penso especialmente numa pessoa muito presente dentro de mim que guardo num lugar muito quentinho. Dona de uma sensibilidade infinita, cheia de Amor, contentora, carinhosa, inteligente, amiga e com uma mão da qual me quero lembrar o resto da minha vida, mesmo que nunca mais possa encontrar a minha. Um porto de abrigo tranquilo, delicado, onde ri e chorei vezes sem conta.
HOJE estou com sintomas de saudades!
Neste dia diferente, queria estar fisicamente com... sei que não é possível... não é o espaço e o tempo... por isso canto esta canção para que te sinta em mim.
HOJE pensei em ti...
HOJE estive contigo...
E... com este meu AMOR.
"Eu só quero que você saiba
Que estou pensando em você
Agora e sempre mais
Eu só quero que você ouça
A canção que eu fiz pra dizer
Que eu te adoro cada vez mais
E que eu te quero sempre em paz
Estou com sintomas de saudades
Estou pensando em você
Como eu te quero tanto bem
Aonde for não quero dor
Eu tomo conta de você
Te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem
Eu só quero que você caiba
No meu colo porque
Eu te adoro cada vez mais
Eu só quero que você siga
Para onde quiser
Que eu não vou ficar muito atrás"
(Marisa Monte)

domingo, 10 de junho de 2007

Sucedeu Assim...

Assim,
Começou assim
Uma coisa sem graça,
Coisa boba que passa,
Que ninguém percebeu.
Assim,
Depois ficou assim
Quis fazer um carinho,
Receber um carinho,
E você percebeu.
Fez-se uma pausa no tempo
Cessou todo meu pensamento
E como acontece uma flor,
Também acontece o amor.
Assim,
Sucedeu assim,
E foi tão de repente
Que a cabeça da gente
Vira só coração
Não poderia supor
Que o amor me pudesse prender,
Abriu-se em meu peito a canção
E a paixão por você.

(Tom Jobim - Marino Pinto)

Neste dia especial, uma das canções mais lindas do meu primeiro mestre de Bossa Nova, o grande Tom que me continua a emocionar e a encantar até hoje.Uma canção que me arrepia e é muito particular para mim.
Experimentem ouvir a versão que eu tenho, "Tom Jobim, Inédito", a voz tranquila, a respiração de Tom e um piano intimista que nos estremece por dentro e faz sentir cada letra e cada nota a tocar na pele.
Se os olhos se molharem... que bom...
É sinal....

...que amamos,
...que o desejo de fazer e receber um carinho ainda está dentro de nós,
...que há esperança.
E que "como acontece uma flor... também acontece o amor"!

quinta-feira, 24 de maio de 2007

O Quarto...

"O Quarto" do mestre Van Gogh
Hoje, remexendo no baú da vida relembrei viagens e veio até mim Amesterdão, fascinante, cidade que mesmo antes de a pisar a senti como minha. Relembrei emoções, passadas naquele lugar tão especial, onde quase tudo é permitido.
Relembrei também um dos momentos altos, uma vivência de rara emoção só possível porque nos arriscamos a sair do nosso mundinho e voamos mais alto.
Qual Monalisa, qual Guernica, os entendidos que me perdoem mas o retrato do Quarto da Casa Amarela (estúdio que o pintor fundou em Arles) naquele maravilhoso museu de Van Gogh fez o meu coração bater mais forte e as pernas ficar mais bambas.
Sempre me senti atraída por ele. Desde pequena que olhava fascinada para "O Quarto" que espreitava cuidadosamente nos livros que povoavam o atelier dos meus pais. Atraída pela cor, pelo traço, pela aparente simplicidade e por mais qualquer coisa, dessas que se sentem, que nos tocam e que a explicação se encontra muitas vezes encerrada no nosso inconsciente.
Há uns anos, quando escrevi um artigo numa enciclopédia para pais, a editora perguntou-me como o queria ilustrar. "Com o quarto da Casa Amarela, respondi sem hesitar". Para mim ele é o retrato da infância, transmite tranquilidade, tem um cheiro próprio. Lembra-me a minha avó que me contava histórias à beira da cama, até ficar rouca, quando eu estava doente. Lembra-me o último momento de cada dia, sem excepção, em que a minha mãe entrava no quarto para dar o beijo de boa noite e aconchegar a roupa ao meu corpo... só depois sim, eu podia dormir e sonhar. Todas elas, lembranças quentinhas e prazeirosas que contribuíram para quem eu hoje sou.
Finalmente nessa minha viagem pude olhá-lo de frente, o verdadeiro, o único, o meu eleito e senti-me transportada para dentro de mim, alheada das pessoas à minha volta. Pensei no mestre que o pintou, um ano antes de se matar, amargurado, infeliz, doente, com fome e sem dinheiro, com vivências povoadas de traços familiares de loucura e certamente nada tranquilas.
Penso no que eu sinto e no que ele sentiu... não posso deixar de pensar de que o que aquele quarto me transmite possa ser a materialização do que ele também sempre quis ter e não teve.
Reza a história que foi em Arles e na Casa Amarela onde o pintor foi menos infeliz.
Viajar, o verbo mais rico do mundo.
Além de um quarto, também eu tenho uma Casa Amarela onde sou feliz.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Francesca...

Ontem revi o filme "As pontes de Madison County". Sentada no meu sofá e enrolada na minha manta obriguei-me a ver e chorei que nem uma Madalena. Senti a minha sensibilidade à flor da pele e relembrei tempos passados. Tempos em que lia e relia esse livro tão especial que parecia sair de dentro de mim. O filme é muito bom mas o livro é magnífico. Reflecti sobre momentos, caminhos, escolhas que fazemos e se revelam mais tarde algo duvidosas... desastrosas. Castelos no ar que se constroem e que não passam disso mesmo, de ar! Valores em que acreditamos e que não passam disso mesmo, valores em que SÓ NÓS acreditamos!
Que seria do amor de Francesca e Robert se tivessem ficado juntos, se não tivessem renunciado ao que sentiam um pelo outro? Ganhou a família de Francesca e a liberdade aprisionada na máquina de Robert. Não ficaram juntos até velhotes, ficaram para além, com as cinzas de um e de outro entrelaçadas ao vento...
Uma História de amor bela que só é bela porque é triste.
O filme acabou e eu fiquei quieta associando uma série de palavras que me inundaram... vindas de esconderijos antigos: S. Pedro, luar, carro, pequeno-almoço, música, Kenny G, Zizi Possi, caleidoscópio, o gemido sentido de um sax, angústia, partida, saudade, cais, abraço, mão...
Palavras, sem palavras!

terça-feira, 15 de maio de 2007

Arranque... de PESSOA para PESSOA!

Resisti à ideia e à vontade de ter um Blog...
O que vou escrevendo talvez não tenha interesse para ninguém... são coisas muito minhas... vivências... emoções muitas vezes exacerbadas em momentos intensos pelos quais tenho passado.
Por um lado, fico vulnerável a olhos que podem não entender o meu sentir e interpretar ideias que não tenho. Por outro lado, frequento Blogs de amigos, de pessoas que admiro e com os quais aprendo, reflicto, cresço e avanço.
Talvez o saldo seja positivo!
Gosto de pensar sobre as coisas, sobre as histórias que me tocam à porta, porque me tocam muitas, e aprender SEMPRE para me tornar melhor PESSOA!

Estou numa fase de profunda RESTRUTURAÇÃO interior, angústias, de limpeza de "teias de aranha", de sofrimento, de renovação (espero).
Sendo um Blog um espaço Público / Privado, atrevo-me a partilhá-lo para me enriquecer, evoluir, aprender e para me conhecer também.

Este Blog dedico-o às pessoas que fui encontrando, que são especiais para mim, de quem eu gosto incondicionalmente, genuinamente e que me incentivam todos os dias a sentir o calor do Sol.
Porque, como diz um grande amigo meu "NÃO CHOVE TODOS OS DIAS..."!
TD