sexta-feira, 29 de junho de 2007

Nos teus olhos não pude olhar...

Enfim chegaste!!
Voltando do teu mundo, montado no teu cavalo de raça, envergando uma armadura de aço. Surgiste, desta vez inundado por um nevoeiro anunciado, como uma sombra. Sombra envolta em mistério, se negro se dourado, se por guerra se por paz, ninguém podia saber.

E, olhando essa sombra que se aproximava e que eu sabia intocável, expectante fiquei, sem saber se ir, se ficar, se correr para alcançar, se fugir e não voltar.

As sombras tornam-se luz à medida que o dia aclara, mas a tua armadura era de um aço tão brilhante que não se podia contemplar. Assim, descobri da maneira mais sofrida que os teus olhos jamais eu podia olhar; que os teus olhos estavam vedados para os meus; que a luz que te envolvia era ofuscante demais.

Em vez de me sentir desamparada e tristemente só, refugiei-me no meu mundo, no meu sentir e fiquei presa, não na beleza da tua armadura reluzente, mas na luz do teu olhar de outrora, onde uma vez consegui entrar e viver.

E, apesar de só te poder ter, do alto do teu pedestal, não saí do teu lado, tentando ver mais além, desse cavalo puro que montavas e dessa armadura onde te encerravas.

E como nos teus olhos não podia olhar... olhei o teu corpo, onde tantas vezes me quis perder e que apenas um dia toquei de leve.

Como nos teus olhos não podia olhar... senti o teu cheiro que me fez estremecer, reviver a proximidade já vivida e sentir o calor do teu corpo ausente, mas presente em mim.
Como nos teus olhos não podia olhar... senti o teu sentir e fiquei feliz.

Como nos teus olhos não podia olhar... olhei as tuas mãos tocando nos objectos que ficavam entre nós e aos teus gestos banais, atribuí intenções nossas.

Olhei as tuas mãos e elas fizeram-me reviver emoções passadas. Mãos quentes, mãos amigas, mãos que contiveram as minhas e que se fundiram como de uma só se tratasse.
Olhar as tuas mãos, fez minha ansiedade em ter-te acalmar, porque as senti em mim.
Nas tuas mãos eu vi o que não pude ver nos teus olhos, porque não os podia olhar.

Se do nevoeiro chegaste, na noite cerrada partiste, de novo envolto em mistério, de novo encerrado em ti e nessa tua armadura reluzente, ansiando entrar num mundo de sonho, fantasia e ilusão, esquecendo que um cavaleiro também tem por missão lutar.

Nesse momento acordei, não sei se para o presente se para o futuro, despertada não por uma “silhouette” nem por uma “feiticeira”, olhei o livro caído no chão que não falava de pontes, levantei-me e mergulhei nas minhas rotinas, das quais tu nunca tinhas feito parte, coloquei um perfume que não era o nosso, entrei no carro onde tu não tinhas estado, coloquei uma balada que tu nunca tinhas ouvido.

Comecei mais um dia desta vida habitual, com um sorriso montado, treinado e aprendido, porque os outros não têm culpa dos meus sonhos ou pesadelos.

À noite cheguei a casa, e depressa me deitei tentando continuar a história desse meu cavaleiro, desejando ansiosamente que da próxima vez que ele chegasse, fosse num dia de sol, sem cavalo, sem armadura e com vontade de ficar.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

A verdadeira reciclagem...


Não resisto a partilhar convosco uma descoberta extraordinária.


Uma grande amiga minha, verdadeira fã da reciclagem (artística), deu-me a conhecer um site que é o paraíso dos verdadeiros crentes e seguidores da reciclagem, como todos deveriamos ser:

Lisboa Freecycle

Local onde tudo se oferece e troca a bem da saúde do nosso precioso planeta e sem euros envolvidos (coisa rara hoje em dia)!
Passo a transcrever uma dessas ofertas que a minha amiga me enviou e que nos fascinou.

"[LisboaFreecycle] OFERTA: frigorífico velhinho
Tenho um frigorífico que funciona mas tem um problema com a porta: cai quando se abre! Para resolver o problema é soldar ou então alguma engenhoca pra manter a porta no sitio. Vivo em Benfica e talvez até arranje transporte para o entregar. Alguém interessado?"

Sim senhor, vivendo e aprendendo!

E toca a reciclar pessoal!

segunda-feira, 25 de junho de 2007

O poder de um sorriso...

"Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz lá dentro,
apetecia entrar nele, tirar a roupa,
ficar nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso".*
* Eugénio de Andrade, O Sorriso. Em O Outro Nome da Terra.
... porque as lágrimas afastam.

domingo, 24 de junho de 2007

O Bruno...

Hoje acordei a pensar no Bruno!
Lembrei-me da carita dele, da voz, do jeito miudinho.
Senti-me intranquila, impotente e triste.
Acompanhei-o durante 3 anos.
O pai morreu quando ele tinha 1 ano, a mãe abandonou-o e esteve entregue a colégios internos a maior parte da vida.
Tinha duas pessoas na vida, uma madrinha missionária que o amava e um avô alcoólico que o maltratava.
Estava finalmente a encontrar o seu rumo aos 19 anos de idade e morre estupidamente num acidente de automóvel.
Vejo-o à minha frente, com os seus sonhos e temores, a maior parte das vezes com um olhar assustado.
Que sentido teve a vida dele... nasceu para quê?
Faz
-me pensar no sentido da vida e na nossa necessidade de lhe dar um sentido.
Construímos, semeamos para colher, batalhamos...
De repente aparecem os momentos inesperados que nos atordoam e nos impedem de continuar a sonhar.
Fiquei a pensar nas PERDAS e em tudo o que elas implicam, nomeadamente CRESCIMENTO.
Sinto-me "desempregada" afectivamente.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Registos muito pessoais...


Interiores...

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Exercício de sensibilidade...


DELICADO
Corpos coloridos, femininos, musculosos, misturados, encurralados, entrelaçados que também se movem como peças de xadrez...
Corpos que sofrem que se emocionam que esperam, puxam e desesperam...
Corpos inquietos que se despem e se encerram em coletes de forças e se arranham em desespero. Libertam-se dos laços e das cordas que os prendem...
Corpos delicados que se tocam que se acariciam que se abraçam que se juntam que se fundem, iguais femininos, empáticos no sofrimento que se deitam que se desnudam que se lambem que dançam brilhantes, iluminados...
Plateia que olha e se inquieta que sente, e se incomoda que vibra com a pele suada e brilhante dos corpos que no chão rastejam...

INTERVALO
Telemóveis que se espreitam que distraem que arrefecem porque sentir incomoda.
Multidão que se levanta que olha, é olhada, comenta e é comentada.
Lados opostos que se encontram, jeans desbotados, jóias que se expõem e atraem olhares como se fossem Laliques.
Conversas que se trocam, mãos que se apertam, corpos que se medem, se avaliam e se sentam quando soa o gongo.

WHITE
Corpos perfeitos masculinos, musculosos, suados, sensuais, fortes que escorregam, que lutam que se tocam que se animam ou caem amorfos...
Corpos que crescem ao som de tangos, a dez mãos tocados...
Corpos que arfam, gritam, transgridem as leis da física, inspiram, expiram e transmitem desejo. Corpos que libertam testosterona inquietam e fascinam olhos atentos...
Corpos machos, belos, decididos que ora se juntam numa amálgama de entrelaçados ora se afastam. Contorcem-se, contraem-se, relaxam numa sequência frenética de movimentos inesperados e impossíveis...
Troncos nus, imponentes, trabalhados que possuem o palco com alma e vontade. Livres, inspiram quem os espreita conscientes do impacto que provocam...
Gozam o espaço, brincam, provocam, mostram o lado macho com um orgulho exposto...
Corpos que ondulam num ritual afro, transpirando sensualidade...
Plateia que prende a respiração, segue os movimentos fascinada e sonha em sentir o corpo tocado...

XXXXX
Tive a sorte/azar de assistir ao último espectáculo do Ballet Gulbenkian no Grande Auditório e de ter registado o meu sentir, como se de uma clarividência se tratasse. Como se quisesse guardar em mim todas as temporadas vividas e sonhadas ao longo de tantos anos desde que tive idade para, da plateia, contemplar e emocionar-me neste mundo tão especial para mim.

Cresci com o Ballet Gulbenkian e com as filas para a compra das cadernetas de cada temporada. Primeiro partilhadas com a minha mãe, ainda nos anos sessenta, depois com os meus amigos e finalmente nos últimos tempos sozinha quando sentia uma enorme vontade de me alimentar e reencontrar.

Não consigo explicar por palavras a intensidade com que sinto/sentia os movimentos, a cor e o som desses momentos mágicos... é quase Divino... é quase como se o meu espírito abandonasse o meu corpo... é como se ele se juntasse a algo que não tem nome entre nós.

Hoje acordei com uma saudade profunda de alguém... algo falhou.

Como quem entra numa igreja, como quem visita uma sinagoga, senti uma enorme vontade de me inundar, alimentar e reencontrar. Apeteceu-me essa sala onde me sentei tantas vezes.
Daí este meu exercício de sensibilidade... HOJE!

Resta terminar esta minha homenagem a tantas emoções sentidas, com uma frase do Paulo Ribeiro: "a companhia estava num dos seus momentos de glória".

E agora em que plateia habito?

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Felicidade...

“Mereces muito ser feliz!”
Parece que está na moda desejar felicidades.
Desejamos felicidade aos outros e pronto, eles que se desenrasquem que a encontrem ou a procurem...
Nós lavamos daí as nossas mãos!

A Felicidade, procura-se? acha-se?
Não sabemos!
Mas sem dúvida todos a procuramos.
Todos queremos ser protagonistas da história “... e foram felizes para sempre!”
Na sabedoria dos seus 78 anos o meu pai ensinou-me que “Felicidade é contentarmo-nos com o que temos”.
E há a importância dos momentos felizes que já vivemos que nos podem alimentar os momentos menos felizes que passamos e tornar mais leves os dias cinzentos.
FELIZ, uma das palavras mais desejadas do nosso dicionário!

PS – alguém sabe o que aconteceu à Bela Adormecida e ao seu príncipe encantado depois do “e foram felizes para sempre...”?

domingo, 10 de junho de 2007

Sucedeu Assim...

Assim,
Começou assim
Uma coisa sem graça,
Coisa boba que passa,
Que ninguém percebeu.
Assim,
Depois ficou assim
Quis fazer um carinho,
Receber um carinho,
E você percebeu.
Fez-se uma pausa no tempo
Cessou todo meu pensamento
E como acontece uma flor,
Também acontece o amor.
Assim,
Sucedeu assim,
E foi tão de repente
Que a cabeça da gente
Vira só coração
Não poderia supor
Que o amor me pudesse prender,
Abriu-se em meu peito a canção
E a paixão por você.

(Tom Jobim - Marino Pinto)

Neste dia especial, uma das canções mais lindas do meu primeiro mestre de Bossa Nova, o grande Tom que me continua a emocionar e a encantar até hoje.Uma canção que me arrepia e é muito particular para mim.
Experimentem ouvir a versão que eu tenho, "Tom Jobim, Inédito", a voz tranquila, a respiração de Tom e um piano intimista que nos estremece por dentro e faz sentir cada letra e cada nota a tocar na pele.
Se os olhos se molharem... que bom...
É sinal....

...que amamos,
...que o desejo de fazer e receber um carinho ainda está dentro de nós,
...que há esperança.
E que "como acontece uma flor... também acontece o amor"!

Aos meus pais...

Hoje os meus pais fazem 45 anos de casados!
Para eles todo o meu amor e gratidão...

sábado, 9 de junho de 2007

E foi aqui que eu fui muito feliz!


E foi aqui que eu vivi até aos meus 15 anos!

Porque a VIDA... é uma roda viva.

(Obrigada Lila)
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu

A gente quer ter voz activa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino para lá

Roda mundo, roga gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
As voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir

Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira para lá

A roda da saia mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou

A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola para lá

O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou

No peito a saudade cativa
Faz força para o tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade para lá

Roda mundo, roga gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
As voltas do meu coração
(Chico Buarque)

terça-feira, 5 de junho de 2007

Só uma pergunta...

"De que é que tens a mania que te falta?"
Obrigada Salvador, meu amigo oculto!

domingo, 3 de junho de 2007

Revoltas...... em saco roto!

Estou profundamente chocada com o que se passou ontem com o meu carro na Av da República em Lisboa, embora saiba que este email vai cair em saco roto porque as pessoas da Emel não querem saber das pessoas.

Estacionei o meu carro Sábado de manhã na Av da República às 11.30h.
Depois de virar a mala do avesso, apenas tinha notas e moedas pretas que as vossas maravilhosas máquinas não aceitam.

Logo estando eu na Av. da República entre a Av. de Berna e a Av. Elias Garcia e estando os quiosques das revistas ao pé, fechados, tive que me deslocar ao café mais próximo para consumir um café para poder ter moedas para cumprir com a minha obrigação.

Foi o que fiz, apenas encontrei um café no mini preço na Av. Elias Garcia. Bebi o café e voltei ao carro para colocar as moedas e a vossa funcionária maravilhosa e eficiente D. PC tinha às 11.34h colocado o maravilhoso envelope no meu pára brisas.
Regressei ao carro eram 11.40h porque não sou a super mulher e não tenho o dom de voar do café ao carro.
Ainda olhei em volta mas a Dona PC não era visível e fui impossibilitada de explicar o caso.

Estou revoltada e sinto-me completamente injustiçada porque:
- Nunca deixei de pagar os parquímetros da emel;
- Em 18 anos de carta, nunca apanhei uma multa de estacionamento;
- Nunca deixei de pagar os meus impostos e as minhas obrigações;
- Não pude explicar à senhora vigilante o sucedido;
- Num sábado a taxa de estacionamento máxima não é 5 euros pelo que estão a cobrar uma taxa não aplicável aos sábados.
- Ainda escrevem que o pagamento dos 5 euros não afasta a possibilidade de contra-ordenação.

Mas que país é este e qual o papel da EMEL?

Por último quero reforçar este papel da EMEL tão pouco formativo nas suas práticas de fiscalização, tão flagrante neste caso, foram no máximo 12 minutos que estive afastada do carro e com a intenção e a preocupação de encontrar moedas para colocar na vossa fantástica máquina.

Para premiar o meu esforço recebo um envelope de boas vindas.
Temos pena...

É a vida!

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Ao Diogo... no Dia da Criança


O PARQUE DAS DIVERSÕES...

Para mim era um dia mágico.
Os olhos acompanhavam o brilho, as cores, as luzes, os sons, os sorrisos, transportando-me para o mundo dos sonhos por umas horas.
Entrava no carrossel, montava o “meu” cavalo branco e rodava, rodava à garupa da minha imaginação estimulada pela música e pelas figuras distorcidas que passavam à velocidade do vento.
Esses dias fazem parte das minhas boas recordações e por vezes ainda fico presa a esse passado, quando o presente me dói.

Hoje eu sei que os dias mágicos acontecem porque deles só conhecemos uma parte!

As crianças desconhecem que...
... Os carroceis param, as luzes desligam-se num simples botão;
... É preciso colocar açúcar na máquina do algodão doce;
... O sorriso dos palhaços que vendem balões e nos divertem, é pintado;
... Os prémios da barraca de tiro ao alvo, também se enchem de pó e os ursinhos não sorteados, ficam sozinhos, sem alguém que os abrace ou tape do frio e da escuridão da noite;
... O homem de borracha, vestido com roupas de cetim coloridas que me fazia abrir mais os olhos, afinal, quando o dia acaba, também se veste normalmente, tem ossos, acende um cigarro, conta as moedas, enfia uma garrafa de vinho debaixo do braço e controla a tentação de a abrir antes de chegar a casa.

O passado ainda é bom, mas já não é mágico, porque não somos mais crianças!

É bom não esquecer o passado mas é perigoso vivermos nele!

Do passado apenas queremos, as coisas boas que vivemos, as saudades desses tempos gloriosos que habitam nas nossas mentes ou que funcionam como defesas para esquecer o presente e não pôr o pé no futuro.

Diogo que possas sempre recordar o Passado, viver plenamente o teu Presente e não ter medo do Futuro...


Adoro-te!

domingo, 27 de maio de 2007

Certezas...

"Não quero alguém que morra de amor por mim...
Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.
Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.
Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim...
Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível...
E que esse momento será inesquecível...
Só quero que meu sentimento seja valorizado.
Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre...
E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.
Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém...
e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto.
Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho...
Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento.....
e não brinque com ele.
E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.
Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe...
Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.
Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.
Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas...
Que a esperança nunca me pareça um "não" que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como "sim".
Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros...
Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.
Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão...
Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim...
e que valeu apena!!! "
(Adriana Britto)

OBRIGADA meu tão querido irmão de coração por me ter presenteado com estas palavras tão lindas que traduzem o que sinto neste momento.

sábado, 26 de maio de 2007

Factos...

Hoje deitei fora o meu vestido de noiva...
...já o devia ter feito há tanto tempo!

Registos muito pessoais...

Recomeço...

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Hoje lembrei-me...

E o Fonseca? Por onde anda?
Quem se interessa...
Temos pena......
mas não fazemos mais nada!

Para que céu olhará o Fonseca neste momento?
E se eu não estivesse tão ocupada?

quinta-feira, 24 de maio de 2007

O Quarto...

"O Quarto" do mestre Van Gogh
Hoje, remexendo no baú da vida relembrei viagens e veio até mim Amesterdão, fascinante, cidade que mesmo antes de a pisar a senti como minha. Relembrei emoções, passadas naquele lugar tão especial, onde quase tudo é permitido.
Relembrei também um dos momentos altos, uma vivência de rara emoção só possível porque nos arriscamos a sair do nosso mundinho e voamos mais alto.
Qual Monalisa, qual Guernica, os entendidos que me perdoem mas o retrato do Quarto da Casa Amarela (estúdio que o pintor fundou em Arles) naquele maravilhoso museu de Van Gogh fez o meu coração bater mais forte e as pernas ficar mais bambas.
Sempre me senti atraída por ele. Desde pequena que olhava fascinada para "O Quarto" que espreitava cuidadosamente nos livros que povoavam o atelier dos meus pais. Atraída pela cor, pelo traço, pela aparente simplicidade e por mais qualquer coisa, dessas que se sentem, que nos tocam e que a explicação se encontra muitas vezes encerrada no nosso inconsciente.
Há uns anos, quando escrevi um artigo numa enciclopédia para pais, a editora perguntou-me como o queria ilustrar. "Com o quarto da Casa Amarela, respondi sem hesitar". Para mim ele é o retrato da infância, transmite tranquilidade, tem um cheiro próprio. Lembra-me a minha avó que me contava histórias à beira da cama, até ficar rouca, quando eu estava doente. Lembra-me o último momento de cada dia, sem excepção, em que a minha mãe entrava no quarto para dar o beijo de boa noite e aconchegar a roupa ao meu corpo... só depois sim, eu podia dormir e sonhar. Todas elas, lembranças quentinhas e prazeirosas que contribuíram para quem eu hoje sou.
Finalmente nessa minha viagem pude olhá-lo de frente, o verdadeiro, o único, o meu eleito e senti-me transportada para dentro de mim, alheada das pessoas à minha volta. Pensei no mestre que o pintou, um ano antes de se matar, amargurado, infeliz, doente, com fome e sem dinheiro, com vivências povoadas de traços familiares de loucura e certamente nada tranquilas.
Penso no que eu sinto e no que ele sentiu... não posso deixar de pensar de que o que aquele quarto me transmite possa ser a materialização do que ele também sempre quis ter e não teve.
Reza a história que foi em Arles e na Casa Amarela onde o pintor foi menos infeliz.
Viajar, o verbo mais rico do mundo.
Além de um quarto, também eu tenho uma Casa Amarela onde sou feliz.

Hino à Vida

Vida jogada no vento...
... que amargura sentida
vê-la sumir-se no Tempo!...

Pois vou enfrentar o Tempo
na certeza de o deter,
travar a sua corrida,
trocar as voltas à Vida
recomeçar a viver!
ASD
(do meu pai para mim)


(...)

- Adeus disse a raposa. Vou dizer-te o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.

- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se recordar.

- Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.

- Foi o tempo que perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se recordar.

- Os homens esqueceram esta verdade. Mas tu não deves esquecê-la. Ficas para sempre responsável por aquele que cativaste. És responsável pela tua rosa.

- Sou responsável pela minha rosa, repetiu o principezinho, a fim de se recordar.

(...)

In Antoine de Saint-Exupéry (1940) O Principezinho. pp 74

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Apontamentos...


(...)
A raposa calou-se e olhou por muito tempo para o principezinho.
- Cativa-me, por favor, disse ela.
- Tenho muito gosto, respondeu o principezinho, mas falta-me tempo. Preciso de descobrir amigos e conhecer muitas coisas.
- Só se conhecem as coisas que se cativam, disse a raposa. Os homens já não têm tempo para tomar conhecimento de nada. Compram coisas feitas aos mercadores.Mas como não existem mercadores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, cativa-me.
- Como é que hei-de fazer?, disse o principezinho.
- Tens que ter muita paciência, respondeu a raposa. Primeiro, sentas-te um pouco afastado de mim, assim, na relva. Eu olho para ti pelo rabinho do olho e tu não dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas, de dia para dia, podes sentar-te cada vez mais perto...
(...)
In Atoine de Saint-Exupéry (1940) O Principezinho. pp 69

terça-feira, 22 de maio de 2007

Sentidos...

Ruídos preenchem o espaço. Chávenas, talheres, conversas que se cruzam indiferentes.
O Nuno deseja-lhe bom apetite. Quem é o Nuno?
Telemóveis que tocam, vozes que encetam diálogos surdos, "como é que vai essa vida?" que vida? de quem? copos enchem-se, esvaziam-se entre trocas de palavras. Uma criança chora.
GOLO!!!! e as cabeças viram-se. Mais um telemóvel que toca, mais um "estou sim?", mais copos tilintam, SMS chegam, vozes que se levantam, talheres, sotaques misturados.
Um tambor ao fundo despropositado.
Gargalhadas, café que cai nas chávenas, gavetas que se abrem, vozes.
Nuno, Henrique, Joel, os braços que a servem e partilham com ela o outro lado do balcão corrido e testemunham a solidão e o copo vazio.
Mais um golo, mais cabeças que se viram, bocas abertas, olhares surpreendidos.
Um ecrã, uma bola, um relvado.
Golos, vários, azuis, vermelhos e verdes... olhos atentos, corações acelerados.
Copos alinhados, vozes, vozes, vozes, sons de talheres contrastam com um silêncio interior insuportável.
Um balcão corrido, o Nuno, o Henrique, o Joel, uma forma como qualquer outra para terminar um Domingo à noite... sem se sentir tão SÓ!
Porque não chove todos os dias!

sábado, 19 de maio de 2007

Limpando teias de aranha...

Dia 1 de Abril – Dia das Mentiras - Sábado

7h
Ela acordou ao som de um despertador estridente e histérico, porque naquele tempo não tinha daqueles que nos acordam suavemente e nos deixam acabar o sonho.
Abriu os olhos, sorriu, lentamente foi-se espreguiçando como um gato depois de estar muito tempo deitado ao sol.
Sentiu que finalmente o seu SOL iria nascer naquele dia.
Olhou à sua volta, sentiu um aperto no peito, olhou a sua irmã que ainda dormia na cama ao lado, olhou as paredes, os bonecos de peluche, apertou de encontro a si o ursinho amarelo que a acompanhava há mais de 20 anos.
A última noite naquele quarto tinha finalmente desaparecido e pelas frestas das janelas entravam agora os primeiros raios de uma manhã linda, daquelas com um céu azul, um perfume de Primavera, que nos deixam bem dispostos e em que apetece fazer algo de diferente.
Saltou da cama num pulo e foi tomar um duche rápido mas revigorante.
Sentiu-se quase feliz.

7h30
Engoliu um copo de leite à pressa saiu de casa, foi tomar a sua bica matinal e entrou no cabeleireiro, onde uma equipa de profissionais a paparicou naquelas primeiras horas do dia.
Teve tudo a que tinha direito: uma lavagem de cabeça mais cuidadosa com o objectivo de revitalizar e diminuir o stress dos fios capilares (modernices); arranjo de pés com direito a uma massagem mais prolongada que o habitual; as suas mãos ficaram bem macias com as unhas compridas e reluzentes; foi maquilhada cuidadosamente, realçando os seus pontos fortes e escondendo algumas marquinhas da agitação dos últimos dias.
Ficou com um "ar natural" e bem cuidado, o cabelo penteado, apenas apanhado por um travessão com 3 rosas de tecido.
Sentiu-se por momentos uma princesa, é certo que vestida de calças de ganga com uma camisa largueirona e uns ténis já surrados, mas por dentro princesa.
Lembrou-se da frase feita "o hábito não faz o monge" e esboçou um sorriso.

9h
Entrou de novo em casa e sentiu o reboliço da sua irmã e da sua avó que se arranjavam, contrastando com a calma vinda dos outros quartos.
Por estranho que possa parecer não se sentiu triste, nada poderia estragar aquele que seria o seu dia.
Lá fora esperava-a uma nova vida. Finalmente o Futuro chegara.
Foi para o quarto, fez a cama, fechou a mala com as últimas roupas, o livro de cabeceira, o seu ursinho amarelo e foi revendo os momentos passados naquele quarto, naquela casa, onde anos atrás tinha sido feliz, mas que ultimamente se tornara o seu refugio quando queria estar sozinha, hibernada no seu mundo.

9h30
Saiu do quarto, lançando o último olhar a tudo o que ia deixar encerrado dentro daquelas quatro paredes. Suspirou e fechou a porta.
Percorreu o corredor com a mala numa mão e um cabide na outra, onde o vestido cor de rosa balançava imponente e provocador (por tudo o que representava). Chegou ao hall de entrada, encheu o peito de ar.
Segurou com esforço as lágrimas que ameaçavam estragar o seu "ar natural", conseguido por mãos com pincéis que tinham deslizado numa paleta de cores, para rostos felizes.
Espreitou pela porta da sala, onde na penumbra estavam sentados e calados dois corpos envolvidos num silêncio irreal que a deixou gelada.
Ficou confusa.
Por segundos à sua cabeça assolaram milhares de frases feitas e ensaiadas, para aquele dia, ao longo das últimas horas. Não foi capaz de proferir nenhuma.
As suas pernas tremeram a angústia e a revolta aceleraram o seu coração perante aquela situação caricata. Deu um passo em frente, encarou-os olhos nos olhos e disse numa voz que não a abandonou por milagre: "Adeus, até um dia...".

Não se lembra da resposta, ou ainda não se quer lembrar.

Só sabe que a porta se fechou atrás de si e um misto de sentimentos inundou-a enquanto saía até à rua, se enfiava no carro que a conduziria a casa de sua tia que abria as portas para a receber a si, e a todos quantos não a quiseram deixar só nesse dia especial.

9h45
Do Campo Pequeno a Alvalade olhou a sua Lisboa, as ruas, o parque, os prédios, o Santo António, as pessoas que passavam na rua e imaginou quantas histórias haveria, debaixo daqueles rostos pincelados com um "ar natural".

11h
Estava pronta de corpo e alma.
A maquilhagem retocada, o cabelo e o vestido por si desenhado, irrepreensíveis. Nas mãos um bouquet muito simples em tons rosas, disfarçava o tremor das mãos. Olhou o espelho e gostou do que viu, principalmente do que estava por dentro.
Respirou fundo, levantou a cabeça e avançou decidida em direcção a ele que a esperava sorrindo.
Hoje era o dia do seu verdadeiro CASAMENTO, apesar de ser também o dia das mentiras.

Finalmente sentiu-se em paz, encerrando um episódio da sua vida e recomeçando outro.
O Conservador estava num dia feliz, saltou as partes burocráticas citou Fernando Pessoa e outros poetas, olhou-os nos olhos e disse-lhes que aquele era um casamento especial, diferente de todos os outros!

E ela acreditou....

Dezoito anos se passaram e ela sabe que aquele dia, foi mais um "Dia das Mentiras"!

Amor...

"Quando amamos alguém...
esse alguém torna-se indispensável para nós..."
Eduardo Sá

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Evidências...


50 palavras de tirar o sono...

Olho a sala.
Sinto a morte presente. Corpos prisioneiros da idade e das cadeiras onde foram amarrados sentem-me como diferente. Até quando? Inevitavelmente ela chega um dia.
Nesta antecamera, sou diferente dos olhares alheados que me rodeiam e desigual dos que aqui me depositaram.
Já não pertenço ao mundo!
(Homenagem ao tio Zé que nunca se deixou amarrar)

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Em busca do sentido da vida...

"A Arte é a confissão de que a vida não basta."
Fernando Pessoa

Francesca...

Ontem revi o filme "As pontes de Madison County". Sentada no meu sofá e enrolada na minha manta obriguei-me a ver e chorei que nem uma Madalena. Senti a minha sensibilidade à flor da pele e relembrei tempos passados. Tempos em que lia e relia esse livro tão especial que parecia sair de dentro de mim. O filme é muito bom mas o livro é magnífico. Reflecti sobre momentos, caminhos, escolhas que fazemos e se revelam mais tarde algo duvidosas... desastrosas. Castelos no ar que se constroem e que não passam disso mesmo, de ar! Valores em que acreditamos e que não passam disso mesmo, valores em que SÓ NÓS acreditamos!
Que seria do amor de Francesca e Robert se tivessem ficado juntos, se não tivessem renunciado ao que sentiam um pelo outro? Ganhou a família de Francesca e a liberdade aprisionada na máquina de Robert. Não ficaram juntos até velhotes, ficaram para além, com as cinzas de um e de outro entrelaçadas ao vento...
Uma História de amor bela que só é bela porque é triste.
O filme acabou e eu fiquei quieta associando uma série de palavras que me inundaram... vindas de esconderijos antigos: S. Pedro, luar, carro, pequeno-almoço, música, Kenny G, Zizi Possi, caleidoscópio, o gemido sentido de um sax, angústia, partida, saudade, cais, abraço, mão...
Palavras, sem palavras!

Um Mestre...

"Não se aprende grande coisa com a idade.Talvez a ser mais simples, a escrever com menos adjectivos..."
O Sal da Língua. Eugénio de Andrade

quarta-feira, 16 de maio de 2007

A verdadeira Solidão...

Certezas...

Continuo convicta da minha velha máxima:

O melhor e o pior do mundo... são as pessoas!

Amizade...

"(...)
- Como vai ser, quando não puder mais falar? - perguntou Koppel.
Morrie encolheu os ombros.
- Talvez venha alguém que me faça perguntas tipo sim ou não.
Era uma resposta tão simples que Koppel teve que sorrir. Perguntou a Morrie sobre o silêncio. Mencionou um querido amigo que Morrie tinha, Maurie Stein, que tinha primeiro enviado os aforismos de Morrie ao Boston Globe. Tinham estado juntos, em Brandeis, desde o princípio dos anos sessenta. Agora Stein estava a ficar surdo. Koppel imaginava os dois homens um dia juntos, um sem poder falar e outro sem poder ouvir. Como seria?
- Daremos as mãos. - disse Morrie - E haverá imenso amor passando entre nós. Ted, temos trinta e cinco anos de amizade entre nós. Não é preciso a fala ou a audição para sentirmos isso.
(...)" In, Albom Mitch (1997). As terças com Morrie. Sinais de Fogo. pp 91

terça-feira, 15 de maio de 2007

Arranque... de PESSOA para PESSOA!

Resisti à ideia e à vontade de ter um Blog...
O que vou escrevendo talvez não tenha interesse para ninguém... são coisas muito minhas... vivências... emoções muitas vezes exacerbadas em momentos intensos pelos quais tenho passado.
Por um lado, fico vulnerável a olhos que podem não entender o meu sentir e interpretar ideias que não tenho. Por outro lado, frequento Blogs de amigos, de pessoas que admiro e com os quais aprendo, reflicto, cresço e avanço.
Talvez o saldo seja positivo!
Gosto de pensar sobre as coisas, sobre as histórias que me tocam à porta, porque me tocam muitas, e aprender SEMPRE para me tornar melhor PESSOA!

Estou numa fase de profunda RESTRUTURAÇÃO interior, angústias, de limpeza de "teias de aranha", de sofrimento, de renovação (espero).
Sendo um Blog um espaço Público / Privado, atrevo-me a partilhá-lo para me enriquecer, evoluir, aprender e para me conhecer também.

Este Blog dedico-o às pessoas que fui encontrando, que são especiais para mim, de quem eu gosto incondicionalmente, genuinamente e que me incentivam todos os dias a sentir o calor do Sol.
Porque, como diz um grande amigo meu "NÃO CHOVE TODOS OS DIAS..."!
TD