
Mais uma vez a Companhia Teatral do Chiado está de parabéns.
Sentir, Aprender, Registar... Escrever o que me vai na alma. E conversar Sempre... tranquilamente, com quem se gosta!

Mais uma vez a Companhia Teatral do Chiado está de parabéns.
Teus olhos cinza, azulados,
Em teu rosto miudinho,
Rendem todos num olhar.
E com esse teu jeitinho
Sabes muito bem levar
A água ao teu moínho
27-3-1994

Enfrento o dia, já esquecida do que é trabalhar com o “ar, condicionado” pela temperatura que faz lá fora.
Hoje, foi o primeiro dia de frio!
Amanhã vou trocar o meu colar pelo cachecol e preparar-me para mais “clientes” simpáticos/enregelados que vão continuar a querer saber como estou, várias vezes por dia, pelo menos até chegarem os primeiros dias solarengos da Primavera.
Como é possível aprender e ensinar com frio?
E foi assim que me tornei uma "Rogeriana" convicta, experienciando na pele as técnicas da Terapia Centrada no Cliente/Abordagem Centrada na Pessoa que venho estudando e aperfeiçoando na minha prática profissional ao longo dos últimos anos.Pela quinta vez, suspendo a minha vida durante três dias e rumo, este ano a Palmela, com o mesmo frio na barriga de sempre mas com a certeza (de sempre também) de dar mais um passo consistente na minha formação pessoal e profissional.
Para trás deixo, exausta, o dia atulhado de reuniões, telefonemas, jovens que atendi, outros que não consegui atender, conversas interrompidas, e até um mal entendido que me deixa desconfortável. Deixo também a família e os amigos descansados porque já vão estando habituados a estas minhas ausências e certos de que não entrei nem para uma seita, nem para uma religião desconhecida e, que apesar de não entenderem, ainda muito bem, o que "por lá" se passa, sabem que voltarei sempre a "velha" Teka.
São 20h, entro na mesma quinta, onde me iniciei e não posso deixar de recordar aquele Novembro de 2002. Vim aqui também, este ano, para me reconciliar, para encerrar de vez o único capítulo que está entreaberto daqueles tempos, porque muito marcado por este lugar lindíssimo.
Como veterana de Grupos de Encontros venho munida das ferramentas básicas: abertura, responsabilidade, vontade para estar comigo e com os outros, alegria por rever alguns amigos, tampões para os ouvidos, borracha de água quente, agasalhos extras.
Ao fim de 3 dias intensos parto, exausta também, mas com a convicção inabalada de que este caminho que escolhi é o MEU CAMINHO...
Até para o ano!
Carl Rogers dedica parte da sua vida profissional a desenvolver e experimentar a mudança de atitudes, comportamentos em grupos intensivos e organizados para o efeito.
Corria a década de 40 do séc. passado e a investigação na área do desenvolvimento e aperfeiçoamento da comunicação e relações interpessoais bebia conceitos desenvolvidos por Kurt Lewin, pela Gestalt e pela Abordagem Centrada na Pessoa.
Rogers refere que com a desumanização das sociedades, em que o outro não tem espaço e a constante luta para vencer o dia a dia e sobreviver a todas as necessidades materiais, frequentemente esquecemos as nossas necessidades psicológicas. Necessidades essas que consistem na urgência da vivência de relações próximas e verdadeiras, bem como a manifestação espontânea de sentimentos e emoções num clima de aceitação incondicional.
Surge o interesse pelas experiências intensas de grupo a que Rogers não é alheio, introduzindo e desenvolvendo de forma sistemática, uma modalidade a que denominou "Grupo de Encontro" com a finalidade de "acentuar o crescimento pessoal e o desenvolvimento, o aperfeiçoamento da comunicação e das relações interpessoais, através de um processo experimental." Carl Rogers (1970).
Todos os Grupos de Encontro têm, em regra, algumas características comuns:
Desde 1984 que em Portugal são promovidos "Grupos de Encontro segundo o modelo de Carl Rogers.
Para saber mais:
Rogers, C. (1970). Grupos de Encontro. 8ª edição. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
Quem não ficou seduzido pelo humor diferenciado e mordaz dos Monty Python nos anos 70/80 (os da minha geração claro)?
“Se cada dia cai
Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.
há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.”
(Pablo Neruda)

À beira do mar, o acarajé é Rei, acompanhado da Brahma gelada e de partilhas especiais interrompidas por mergulhos no mar que energizam a alma, neste lugar amado do meu mundo, onde o corpo fica mais quente, mais salgado, mais livre, sentindo à flor da pele a beleza de estar aqui e poder viver a emoção de ser especial.

Dentro de portas, o carinho com que se recebem os amigos, com que se aguçam paladares, com que se doam momentos de vida, faz valer a pena estar vivo, aproxima corações, alimenta recordações que encurtarão a distância... quando as saudades apertarem... quando os dias estiverem tristes... quando eu "morar no interior do meu interior"...

E quando um dia a noite chegar
E quando o beija flor não me vier mais cumprimentar
E quando o pássaro preto não me encantar mais com a sua alegria e não me pedir que acaricie as suas penas suaves
E quando os cachorros não me saudarem
E quando a jarra dos antúrios não animar mais o meu quarto
E quando eu já não puder abrir o meu livro perfumado, das pontes
E quando as mãos não se conseguirem entrelaçar
E quando os olhos não se puderem tocar
E quando as persianas se fecharem...
Não faz mal...
Estará tudo inviolado dentro de mim!


O clima muda, o corpo esconde-se, as esplanadas esvaziam-se, a noite chega mais cedo, o tempo agora é outro... Convida à reflexão, à leitura no sofá, às conversas tranquilas em boa companhia...
E porque não ler e partilhar um dos mais belos sonetos do nosso Camões.
Lembrei-me agora de ti minha Sampa amiga, saudades de te ouvir ler quando as estrelas apareciam no céu, na minha sala e lembrei-me que foi assim, pela tua voz bem colocada, num tom sereno que me apresentaste Drummond de Andrade. Aqui vai para a troca... Como se estivesse a ler para ti...
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades
Continuamente vemos novidades
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
e em mim converte em choro e doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mor espanto:
que não se muda já como soía...
