segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Comunicar...

Minha aldeia é todo o mundo.
Todo o mundo me pertence.
Aqui me encontro e confundo
com gente de todo o mundo
que a todo o mundo pertence.
(...)
António Gedeão - A minha aldeia

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Catacuzes, Carrasquinhas e porque não Espargos...


Ainda há surpresas!
Vinha hoje a caminho de casa, quando alguém, no rádio do carro, falava com entusiasmo das delícias de um belo “Feijão com catacuzes e carrasquinhas acompanhado com carapaus fritos”, um “Cozido de grão com carrasquinhas”, uma maravilhosa “Sopa de catacuzes com bacalhau e ovos” e umas “Migas de espargos”.
Senti-me completamente à nora na conversa uma vez que de tão apetitosa e promissora ementa desconhecia completamente de que Reino seriam os “catacuzes” e as “carrasquinhas”.

Apenas salva pelos ESPARGOS, lembrei-me então de um episódio curioso, passado há uns anos atrás.
Um belo dia, comentava com uma colega de trabalho que tinha ficado incrédula com a pergunta de um jovem adulto (25 anos) quando confrontado à mesa com um prato de espargos, olhando para o aspecto dos ditos cujos, perguntou se era peixe.

Perante a nossa expressão incrédula, uma colega que também ouvia a conversa, resolveu intervir e perguntou, a medo, se seria o espargo um vegetal, perante o nosso olhar escandalizado apressou-se a afirmar que tinha a certeza que era um vegetal. O pior foi quando lhe pedimos para descrever o aspecto do “animal”.
Resolvi então fazer uma pequena investigação caseira sobre o assunto.

Pesquei, ou seja, deveria dizer caçei, um outro colega que por azar passava no corredor e perguntei-lhe o que era um espargo (para fazer o favor de me explicar).
Depois de pensar e vacilar um pouco, disse, felizmente, ser claramente do Reino Vegetal.
Ao meu pedido para esclarecer o aspecto, disse-me convicto "estás a ver o espinafre? é parecido..." Ainda incrédula perguntei: "ahhhhh do tipo do agrião?" ao que ele me respondeu sem dúvida alguma e com um aceno da cabeça: "sim, um vegetal parecido com o agrião".
Não achei isto nada normal.
E se os médicos mandam comer espargos?
A minha investigação caseira, acabou de imediato, com uma amostragem de dois sujeitos, não fosse encontrar quem me afirmasse, sem dúvida, um ESPARGO pertencer ao Reino Mineral.
Que raio! Mas como é que alguém, não sabe o que é um espargo?

“Pela boca morre o peixe”, hoje fui confrontada com a minha ignorância gastronómica, pelos vistos tipicamente portuguesa. Apenas tenho a certeza de que catacuzes e carrasquinhas não pertencem ao Reino Mineral.

Moral da história:
“Em boca fechada não entra mosquito” e “o saber não ocupa lugar”.


Para saber mais:
http://infoagro.cothn.pt/portal/index.php?id=3217
http://correio-mor.blogspot.com/2007/02/catacuzescarrasquinhosespargos-e-azedas.html

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Um ciclo que não acaba... NUNCA...

Tenho andado num pico de actividade profissional, que me tem deixado distraída dos telejornais. De manhã durante os 15Km que me separam de casa ao meu local de trabalho, deixo-me actualizar qb, pela TSF.

Tenho dado pelo mau tempo claro!
Mas, com os meus bens salvaguardados, ouvindo a chuva e a trovoada lá fora, no aconchego do meu lar.

Hoje tropecei nas imagens da SIC.
Gente com muito pouco que ainda ficou com menos, marcada pelo desespero de ver as suas “casas” inundadas com 2 metros de altura. Com o nada reduzido a coisa nenhuma.
Fiquei mexida, porque neste país cada vez está mais difícil quebrar o ciclo de pobreza. Confronto-me diariamente com essa realidade escondida que apenas “vem a lume” quando demasiados reparam.
Como se quebra o ciclo?
Educação/Formação.
Chegará?

domingo, 10 de fevereiro de 2008

À Joaninha...










Ontem foi dia de mimar.

Tivemos tudo a que se tem direito, nestes dias: folia, almoço preferido, passeios com sol e à beira mar, conversas mil, gomas coloridas (os pais que não leiam), muitas fotos para a posteridade, compras, risos, muitos desejos realizados, muito carinho e cumplicidades trocadas.

E há lá coisa melhor que sentir, ao fim de um dia fantástico, uns bracinhos, num abraço apertado acompanhado de um sorriso franco e de umas palavras milagrosas.

“Adoro-te Madrinha”.
(...)
Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
(...)
Fernando Pessoa, In Liberdade

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Amar...

" Quem nunca sofreu por amor nunca aprenderá a amar. Amar é o terror de perder o outro, é o medo do silêncio e do quarto deserto, de tudo o que se pensa sem poder falar, do que se murmura a sós sem ter a quem dizer em voz alta. É preciso sentir esse terror para saber o que é amar. E, quando tudo enfim desaba, quando o outro partiu e deixou atrás de si o silêncio e o quarto deserto, por entre os escombros e a humilhação de uma felicidade desfeita, resta o orgulho de saber que se amou."

Miguel Sousa Tavares, In Rio da Flores, pp 583

E não é que MST continua a surpreender-me!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Augusto Tomás...




De 13 a 17 de Fevereiro começa o "Madrid Art"

Um salão de Arte Moderna e Contemporanea de referência.

Portugal vai estar presente.

E eu, também gostaria de me perder por lá.

Tenho 4 bilhetes, já não falta tudo!

Augusto Tomás, uma estreia ao lado de Júlio Pomar, Francisco Simões, Júlio Resende, Rogério Ribeiro e muitos mais.

Gostaria de ser mosca!

Aqui fica o site para aguçar apetites:

http://www.art-madrid.com/

Arte...

"A Arte lava a alma do pó da vida de todos os dias"
Pablo Picasso

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Para que conste...


"Um corpo que não sonha é como uma casa desabitada - a ruína é o seu destino."
António Coimbra de Matos
In Mais amor - menos doença

domingo, 27 de janeiro de 2008

Ao Sol...







































sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Sem ti...


E de súbito desaba o silêncio.
É um silêncio sem ti,
sem álamos,
sem luas.
Só nas minhas mãos
ouço a música das tuas.
Eugénio de Andrade

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Uma surpresa...

"Obrigada por ter participado no programa «A história devida». A sua história foi seleccionada e vai ser lida em antena pelo Miguel Guilherme na terça-feira, dia 5 de Fevereiro. Pode ouvi-la às 17h20, 21h20 ou 03h20, na Antena 1, da RDP."

domingo, 20 de janeiro de 2008

Calmaria...


sábado, 19 de janeiro de 2008

Crise de Identidade...


Tenho sempre a sensação, quando me dirijo a serviços públicos para tratar de “assuntos”, que chego na hora errada ao local errado.
Peculiaridades à parte, sobrevivo, apesar de tudo, à minha primeira incursão no Centro de Saúde a que pertenço.

Em casa, olho para o papel da inscrição no dito centro que serve de cartão e que me abre as portas para este nosso maravilhoso sistema de saúde.
O cartão, só estará pronto daqui a 9 meses.
Nove meses??? Pergunto-me, quem fará os cartões?

Incrédula, olho as letras que me identificam.
Teka
Sexo: MASCULINO

Com a auto-estima arrasada pela febre e pelos dias a deambular sentimentos e pensamentos, por lugares nada recomendáveis, olho-me ao espelho.
Realmente, o meu buço e as roupas pouco femininas, vestidas à pressa e sem gosto, falam por si.
E não viu a senhora, os meus pelos nas pernas.

Como diria o meu pai, num encolher de ombros, sábio:

“É o que temos!”

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Passa a outro e não ao mesmo...


Entusiasmada começou o dia, o ano, a vida...
“Bom Dia, Futuro!”
Subiu a escada energicamente.
Não saltou a rotina da sua bica matinal.
Trocou os sorrisos e as frases circunstanciais com que se começam as manhãs.
Consultou a agenda.
Desafios previstos.
Seria um excelente dia.
Batem à porta.
“- Temos um problema!”
Levantou-se, sorriu, avançou.
“- Tudo se resolve!”
À sua frente uma mulher madura, desgrenhada e desalinhada, soluçava.
Sentou-a, conteve-a no seu sofrimento interior, na sua amargura sentida.
A mulher tossia, fungava, gesticulava numa urgência de largar e afastar de si sentimentos, agruras, vida perdida e fluidos... muitos fluidos.
Incongruente, procurou discretamente com o olhar, a sempre presente caixa de lenços de papel.
“Bolas acabaram!”
A mulher desidratava mais e mais, visivelmente perturbada e entupida.
Por entre um discurso entrecortado por sonoros soluços e projectados espirros, lá ia secando, como podia, às mãos, às mangas do casaco e ao cabelo, todo o mal estar que sentia.
Serenamente, num esforço de concentração sobre-humano, abstraiu-se de tantos líquidos mal parados e escutou o mais empaticamente possível.
Passada a tempestade instala-se sempre a bonança e a mulher, visivelmente mais calma, levanta-se. Com um sorriso meigo e um ar pacificado, estende-lhe agradecida a mão direita para selar a despedida.
Acompanha-a à porta na ânsia secreta que a mão estendida procure um bolso ou um lenço inexistente.
Abre a porta e vira-se lentamente.
Esboça um sorriso. Com coragem respira fundo e enfrenta a mão, ainda molhada, que não baixou.
“- Obrigada! Sinto-me muito melhor.”
Desmonta o sorriso, olha a mulher desgrenhada que se afasta.
Contempla a mão e suspira.
“Ossos do ofício!”

Dois dias depois, em casa, a alucinar com quase 40 graus de febre, diz mal da sua vida.
Sente-se triste, impotente, desgrenhada, presa e só.
“Qual Bom Dia Futuro?”

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

"Manual do Amor"...












Este é um filme despretensioso.
Um filme de pessoas para pessoas e que convida às conversas – como eu gosto deles.
Os vários aspectos das relações amorosas entre as pessoas, o enamoramento, a crise, a traição e o abandono, tratados com simplicidade e mestria, com a vantagem de ser italiano.
Um filme onde é fácil identificarmo-nos com uma ou outra cena. Também ajuda o facto de já eu ter vivido cada uma das quatro fases. É fácil esboçarmos um sorriso e reconhecer momentos e sentimentos passados.
Um filme de que gostei particularmente e que me soube muito bem ver, depois de um dia de trabalho e com um temporal de chuva e vento lá fora.
Um filme para ver no sofá, tranquilamente, a partilhar uma manta quentinha.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Bom Dia 2008...










(imagem patrocinada pela TAP)

Novo Ano.
Vida Nova.
Tempo de sentir muita esperança no Futuro.
Um dia em que queremos recomeçar.
Melhorar como pessoas, ter saúde, paz, amor e alguns euros também.
É neste dia que pedimos tudo que achamos ter direito.
Este ano, não vou pedir NADA!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Noite de Fim de Ano...


Ela chegou a casa ao fim de mais um dia de trabalho.
Bateu a porta atrás de si.
Acendeu as luzes e atirou a pasta para cima do sofá, descalçou os sapatos de salto alto que combinavam com o seu tailleur clássico e dirigiu-se à cozinha.
Abriu o frigorífico, encheu um copo de leite que bebeu de um trago.
Foi até ao quarto, atirou-se para cima da cama, fixou os olhos no tecto e tentou descontrair.

Mais um dia passara.
Mais umas decisões tomara, mais uns objectivos cumprira, mais algumas estratégias definira, para que nenhum cliente pudesse inventar defeitos.

Tinha fama de ser uma excelente profissional, todos admiravam a sua competência, vivendo rodeada de telefonemas, solicitações, almoços e jantares de trabalho, reuniões urgentes. Os seus pareceres técnicos eram pagos a peso de ouro, a sua agenda preenchida até ao último minuto, mas… voltava sempre para casa só… e… só ficava, até no dia seguinte o despertador tocar e mergulhar de novo na vida.

Nunca pensava muito nisso, mas hoje era uma noite especial, hoje era a noite em que ninguém queria ficar só, hoje era a noite em que ninguém ia sair com ela, por mais números de telefone que marcasse percorrendo a sua agenda de A a Z.

Hoje ia ficar só, tristemente só.
Sentiu uma lágrima a percorrer-lhe o rosto e para não sentir as outras que teimavam em saltar, levantou-se bruscamente e foi até à sala.
Olhou o pinheiro enfeitado e acendeu-lhe as luzes dando-lhe uma nova vida.
Sorriu, afinal hoje era noite de Fim de Ano, merecia um pouco de cor, brilho e alegria apesar de não ter ninguém com quem a partilhar.

Será que não teria mesmo?
Subitamente foi até ao outro canto da sala, ligou o computador e aquela maravilhosa ADSL que lhe trazia o mundo e lhe permitia o sonho.

Sentou-se à frente do écran colorido e bastaram-lhe alguns segundos para digitar username, password e entrar no universo virtual.
Ansiosamente conectou um server de IRC e entrou num qualquer canal, em busca de alguém que a pudesse conter, nessa solidão imensa que sentia.

Olhou para todos os nicks presentes no canal, respirou fundo e com a certeza de ser ouvida pelo menos por um deles teclou, sem hesitar:

“Olá! Eu sou a Sweet e esta noite não quero ficar só”.

Imediatamente uma janela se abriu no seu monitor e ela sentiu o seu coração bater mais forte, ao ler a mensagem:

“Olá! Eu sou o Frog e esta noite também não quero ficar só”.

Ela sorriu e suspirou aliviada, pelo menos este ano teria alguém com quem partilhar a última noite do ano e brindar a chegada de 2008.

Ao Fim...


Hoje comprei um livro, última compra do ano, é bom que seja um livro :-)
O Amor é...
do Júlio Machado Vaz, claro!
Meu "companheiro" de horas vagas, de aprendizagens, que sempre despoleta em mim questionamentos pessoais e profissionais muito úteis ao longo de vários anos.
Com ele também, aprendi a gostar de poesia. Foi ele, sem dúvida quem me apresentou como ninguém um dos meus poetas favoritos Eugénio de Andrade.
Transcrevo aqui a abertura desde seu novo livro, com um escrito lindíssimo com o qual HOJE, me identifico totalmente.
"Ao Fim
Ao fim são muito poucas as palavras
que nos doem a sério e muito poucas
as que conseguem alegrar a alma.
São também muito poucas as pessoas
que tocam o nosso coração e menos
ainda as que o tocam muito tempo.
E ao fim são pouquíssimas as coisas
que em nossa vida a sério nos importam:
poder amar alguém, sermos amados
e não morrer depois dos nossos filhos."
Amalia Bautista
In O Amor É.... Júlio Machado Vaz com Ana Mesquita e António Macedo. 2007. Texto Editores, Lda. pp 11

domingo, 30 de dezembro de 2007

O que realmente interessa...


Saúde;
Saúde;
A minha família nuclear;
Os Amigos que HOJE caminham ao meu lado, vivendo comigo o aqui e agora;
Saúde;
Os momentos de partilha;
As viagens;
O meu trabalho, do qual ainda consigo retirar prazer;
A mesa do canto, no “Café Aroeira”, onde, de vez em quando, saboreio a minha bica e onde tudo pode acontecer;
E... a Saúde.

Selva Urbana...


“Selva Urbana” o programa que acabo de ver na SIC. O drama das crianças guineenses que vêm a Portugal ser operadas para poderem sobreviver, são curadas, devolvidas ao seu país e entregues à sua sorte. Um trabalho de equipa extraordinário dos nossos hospitais, mas muitas vezes inglório, porque as condições existentes na Guiné não favorecem a qualidade de vida destas crianças e os cuidados de que necessitam.
É na Guiné e Portugal faz o melhor que pode e sabe. Gostei da reportagem, estamos de parabéns.
Ao meu lado, na rua dos meus pais existe um sem abrigo que por lá “vive” há 4 anos.
Hoje a minha mãe presenciou outro sem abrigo, que lhe roubou as carcaças que tinha num saco e os cobertores imundos.
É em Portugal e Portugal não está a fazer o melhor que sabe e que pode.
Ficámos impressionadas e que fizemos? Nada, além de repor carcaças e cobertores que daqui a uma semana estarão imundos.
Fico feliz por podermos ajudar outras pessoas, crianças de outros países.
Fico triste porque este sem abrigo “vive” há 4 anos na rua e no virar de mais um ano ficou sem as suas carcaças e sem os seus cobertores imundos.
2007 desiludiu-me em muitas frentes. Fico feliz que acabe e espero que a médio prazo eu possa perceber o propósito de algumas mágoas, descrenças e más notícias, à semelhança de 2002.
“Mas não chove todos os dias”!

Um bom momento...


quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Mas não estaremos todos VERDES?

Em tempo de balanços, veio-me à ideia uma frase que recorrentemente, num dos meus grupos de amigos, repetimos, ainda hoje, em tom de brincadeira, ironia, quando a nostalgia nos bate à porta:
"Mas não estaremos todos VERDES?" (lembras-te M?).
No tempo em que éramos todos mais novos e tínhamos realmente a vida mais "fácil" e "sobravam" muitas horas para passarmos juntos bons bocados, alguns de nós gostavam de escrever e partilhar histórias, entre outras actividades.
Há uns 14 anos, num momento em que andava embrenhada em manuais freudianos e não só, escrevi, para me libertar do cansaço e do stress, a história do homem que tinha um problema com a cabeça e com a cor verde. Imediatamente, saiu o mote que serviu de base para a frase que nos acompanha desde então e ainda nos faz soltar uma boa gargalhada.
Acho que nem eu, nem mais ninguém a leu, desde esses tempos. No meio dos meus papelinhos hoje encontrei-a e não resisto em deixá-la aqui para a posteridade, porque esta é uma historia com história.
Esta é a verdadeira "private joke", alguns vão entender, outros vão achar disparatada a história e este meu post.
Corro o risco!

A história...


O seu problema era a cabeça e essa enorme vontade de vaguear, no tempo, no espaço, no mundo, no seu sofá, ao som de uma qualquer canção de esperança.
Envolto num turbilhão de ideias, projectos, trabalhos, canseiras, pessoas, cheiros, sons, não saía da sua sala, temendo o vazio do mundo lá fora.
Não saía, nem precisava de o fazer, nunca estava sozinho, o pensamento era o seu melhor amigo e não o queria partilhar com ninguém … nem com ela.
Só descobre os mistérios da mente, quem não tem medo de a enfrentar e ele, não o tinha.
Eram dias e noites a viver aventuras na sua sala verde. E comia e bebia e sonhava e pensava e dormia, sem nunca sair do mesmo lugar. Por vezes olhava da janela, o mundo lá fora e pensava: “que tontos são... não têm nada!”.
E ele, que tinha?
Tinha-a ao anoitecer, sentada na sua sala verde, ao seu lado, a ver telenovela e, acima de tudo, tinha a sua cabeça, onde percorria o mundo…. Onde vivia.
O seu problema era a cabeça. E para quem é que o problema não é, a cabeça?
Ele, ao menos, sabia-o.
E é dele que falamos, das suas aventuras, desventuras, dos seus segredos e ilusões, enfim... Da sua cabeça, o seu maior problema.
A SEGUNDA-FEIRA era o seu melhor dia da semana, era o dia da esperança.
Tudo podia acontecer. O tempo podia mudar. Ela podia não voltar, podia ficar mais bela, menos chata, mais meiga, talvez como há 30 anos atrás. “Afinal, porque é que um homem casa?” Perguntava muitas vezes a si próprio.
Bom, mas a segunda-feira não era o dia de pensar na vida, pelo menos na sua vida presente. Era o dia dos planos, das grandes viagens. Acima de tudo, era o dia em que ficava só.
Lembrava-se dos seus tempos de criança, e da sua preocupação em saber qual o rumo que seguiria quando “fosse grande”. Tinha pensado em ser polícia ou bombeiro, talvez por causa das fardas, ou quem sabe, pela admiração que a Clara tinha por elas.
A Clara! Cada vez que pensava nela ainda sentia um aperto, uma saudade dos tempos em que ainda era menino e a olhava com respeito e, mais tarde, quando o seu corpo lhe pregava partidas, ao vê-la passar, com figura de mulher e perfume de pecado.
Tinham-lhe dito há pouco tempo que a Clara estava gorda, feia e velha. “Mas não é como estamos, todos?”.
Agora, “grande”, com a farda bafienta no armário, já não tinha profissão, por isso às segundas-feiras, continuava a viajar na sua sala, para outros mundos, lugares belos, distantes, infinitos, irreais, verdes.
Além da cabeça, o seu problema era também a cor verde.
Verde, cor da esperança, do bosque, das esmeraldas, quem sabe por ser a cor dos olhos da Clara e das garrafas que tinha aberto para a esquecer e que ainda hoje abria, sabe-se lá porquê!
À noite quando a casa mergulhava no silêncio, fechava os olhos, sentia-se livre e voava. Voava nesse seu mundo louco, voava para muito longe, esquecendo-se que estava no seu sofá, na sua sala verde e encerrado na sua própria vida.
Toda a sua existência tinha sido passada a conhecer o mundo real, lugares, pessoas, costumes. Tinha passado tempo demais entre malas, salas de embarque, rotas traçadas, aviões e em lugares misteriosos, civilizados, selvagens e paradisíacos.
Conhecia o planeta inteiro, mas nada o atraía tanto, como o seu mundo interior, tão belo, tão distante, tão diferente. Agora que o descobrira, queria ficar preso nele, desvendá-lo, conquistá-lo, nem que para isso tivesse que abrir mais garrafas.

Afinal o problema era mesmo a sua cabeça... mais do que a cor VERDE.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007


Não tenhas medo, ouve:
É um poema.
Um misto de oração e feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente.
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar
Ou nas restantes horas de tristeza
Na segura certeza
De que mal não te faz
E pode acontecer que te dê
PAZ...

(Miguel Torga, Diário XII)

Feliz Natal e um óptimo 2008...

E estamos em época natalícia.
Em contagem decrescente para o virar de mais um ano.

Uns vivem estes dias cheios de alegria, outros profundamente tristes.

Resta a certeza que ninguém fica indiferente a esta urgente necessidade de demonstrar e receber afecto nesta época do ano quer seja através das prendas, dos telefonemas e com a modernidade dos tempos, através de e-mails, cartões electrónicos e mensagens de telemóvel.

E os outros meses do ano?

Quanto a mim...
É a saudade e a nostalgia que impera nesta época, porque não somos todos iguais.

Deixo aqui um poema lindíssimo de Miguel Torga, porque é nosso e este é o centenário do seu nascimento.

Fiquem felizes.

Evidências...

Para escrever, basta uma folha e uma caneta.
Para começar, basta estar sem fazer nada?

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Lisboa...

Porque gostaria muito de saber desenhar.
Porque desenhar infelizmente não é genético.
Porque me apetece sempre voltar para Lisboa.
Porque Lisboa é muito bonita e especial.
Porque Lisboa tem encantos e recantos mágicos.
Porque esta é a "minha" Lisboa.
Porque hoje Lisboa amanheceu linda.
E porque... SIM!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

"A amizade é um amor que nunca morre"


Mário Quintana

Natal... Natal!


Porque este é um "pedacinho" de um Tempo.
Porque me traz memórias boas.
Porque marcou uma época de outras vivências.
Porque os olhos brilhavam.
Porque estamos numa época em que as emoções se sentem mais.
Porque se sentem mais saudades dos que hoje não podemos "ter".
Porque neve, lareira, conversas e amigos combinam.

Porque me apeteceu!

Diários de Viagens...


Diários de Viagens...


domingo, 16 de dezembro de 2007

sábado, 15 de dezembro de 2007

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Diários de Viagens...

Se as pessoas são o melhor e o pior do mundo, viajar é certamente o melhor do mundo.
Viajar com as pessoas que gostamos é o êxtase total.
De algumas viagens, guardo diários, registos vivos de momentos, sentimentos, cores e paisagens olhadas com alma e sempre em boa companhia.
Porque as pessoas e os lugares tornam-nos mais ricos.
Estes meus diários são os meus verdadeiros "Apontamentos Sentidos".
Apeteceu-me partilhar alguns.
Todos eles são escritos in loco, com o que me sai no momento, sem grande preocupação na escrita, apenas com o intuito de guardar de alguma forma, momentos únicos que fui vivendo e que me tornaram mais completa interiormente.
Por vezes de algumas páginas ganham vida algumas histórias.
Habituei-me a viajar com folhas de papel, tesoura e cola, ingredientes básicos dos testemunhos por vezes meio "adolescentes" que deixo aqui registados.