Sentir, Aprender, Registar... Escrever o que me vai na alma. E conversar Sempre... tranquilamente, com quem se gosta!
sexta-feira, 28 de março de 2008
"Antes de Começar"...
"A BONECA - Mas tu não vês que eu sou pequenina... que não tenho forças... que eu não sou como o mar que não se gasta!... tu não vês que eu passo depressa?
O BONECO - Por mais depressa que passes, o teu coração espera por ti... o teu coração não espera mais ninguém... Se tu não vieres, o teu coração não espera mais ninguém... Se tu não vieres nunca, o teu coração não conta, não ouve. É como se não tivesse havido coração. Por mais depressa que passes, dá-te inteira ao teu coração... Porque só sabe do tempo quem não traz coração... o tempo é pecado de quem não sabe amar!!!
A BONECA - Ah!... é assim, juro! É exactamente assim que bate o coração!
O BONECO - Acredita no coração! Ele sabe de cor o que quer!... Não foi necessário ao coração ir aprender o que queria... A nossa cabeça é que precisa de aprender o que quer o coração!
A BONECA - É assim que bate o coração...
O BONECO - O coração nunca está só... O nosso coração é nosso, ele não pode viver sem aquele a quem pertence... ele espera por nós!
A BONECA - Às vezes, a cabeça quer ser mais do que o coração... e fica de costas viradas p'ro coração!
O BONECO - A cabeça não deve ser senão o que o coração quiser! Nunca é o coração que nos falta, somos nós que faltamos ao coração!
A BONECA - Ah!... é assim, juro, é assim que bate o coração!...
O BONECO - Só não entende o coração quem não sabe escutá-lo... ele está sempre a contar aquela hora por que se espera... aquela hora que existe p'ralém da sabedoria... e que tem a forma simplicíssima dum coração natural!...
Excerto da peça “Antes de Começar”, de Almada Negreiros
(muito bonito Luzinhas Epeciais e Sempre Atentas... Hoje é o Dia)
quinta-feira, 27 de março de 2008
Aniversário...
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a.olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui - ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas - doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .
Pára, meu coração!
Não penses!
Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...
Álvaro de Campos 15-10-1929
quinta-feira, 20 de março de 2008
Primavera...
quarta-feira, 19 de março de 2008
Dia do Pai...

Hoje é um dia diferente!
Hoje tenho o meu pai comigo, não só no meu coração.
Os nossos Pais deveriam ser sempre únicos.
Os meus Pais são únicos.
O meu Pai é único.
Hoje, não pude deixar de pensar na Maria.
Pensei nas Marias deste país.
Quando hoje a Maria chegar a casa, pode ser que não tenha o “pai” empunhando o cabo da vassoura, a marcar este dia. Ou pode ser que tenha...
O que sentirá ela se tiver que comemorar o Dia do Pai?
No meu dia a dia, são os casos de maus tratos, os mais difíceis, os que mais me arrasam profissionalmente. Fico pouco tolerante, tenho tendência a esquecer-me da velha máxima académica de que “o agressor também foi vítima”.
Porque hoje é “Dia do Pai” e ainda estou muito “mexida” pela Maria, lembrei-me do meu primeiro caso: Uma criança de 6 anos espancada pelo “pai”, por um qualquer motivo fútil.
Uma coisa é ler nos livros, estudar formas de intervenção, lidar com agressor e agredido, avançar para a denúncia e negociação com a família, tudo explicado em letra de forma e com as partes fundamentais sublinhadas. Outra é ver o corpo de uma criança marcado e ouvir os pais que invariavelmente alegam supostas quedas para explicar as marcas que falam por si.
Eu, uma jovem profissional com pouca experiência, aguentei-me como pude, seguindo as regras frias do manual, que ensina tudo, menos a lidar com a paleta de cores pelas quais passam os nossos sentimentos numa situação como esta.
Lembro-me que quando cheguei ao carro trazia o mundo em cima dos ombros, a alma doída e desabei num choro incontrolável.
Senti necessidade de ligar ao meu Pai e de lhe transmitir como eu me sentia afortunada por tê-lo como Pai.
Do outro lado, a disponibilidade incondicional de sempre, a voz baixa, contentora, serena que até hoje me tranquiliza.
“Também é muito bom ter uma filha como tu”. Nunca me esquecerei desse dia.
Hoje, muitos sentirão saudades e celebrarão lembranças, vivências, momentos especiais. Outros quererão esquecer-se que algum dia tiveram um pai.
Meu Pai, obrigada!
Obrigada por tudo o que me foi passando ao longo da minha vida.
É muito bom ser sua filha.
(a foto - bailarina feita pelo meu Pai para mim)
Parabéns Hot Clube de Portugal...
Continuo a gostar...
... de descer aquelas escadas estreitas, daquele local mítico e bafiento;
... do ambiente ecléctico, dos bancos desconfortáveis;
... de bater o compasso com os pés, enquanto saboreio o meu Favaios;
... de deixar que as improvisações me alimentem e me emocionem por dentro.
Um lugar onde o Jazz ainda é rei.
segunda-feira, 17 de março de 2008
Ah, Les beaux esprits...
s'as flores não são do campo e s'os amores só são de pranto
como dizia o outro
venh'o diabo e escolha qu'eu não sei assim tanto...Salvador Nogueira
(um querido amigo)
In “as voltas dadas ao texto”. Hugin.
sexta-feira, 14 de março de 2008
Momentos que valem a pena...
Numa destas noites vivi momentos especiais!O local, um ícone da gastronomia portuguesa, “Adega das Gravatas”.
Os sabores perfeitos, desde as entradas, aos nacos, ao polvo na chapa regado com bom azeite, às sobremesas, aguçaram os apetites mais exigentes.
O vinho, encorpado, delicioso, escolhido por quem sabe e é atento ao prazer da degustação.
A companhia, as conversas, os sorrisos, as trocas de vida, encheram o tempo que não pareceu tempo
Pessoas bonitas por dentro, inteligentes, partilhas sentidas, conversas, momentos especiais que fazem a vida valer a pena.
“Há as pessoas que nos são indiferentes, há as pessoas que nos diminuem e há as pessoas que nos acrescentam” (João Lobo Antunes).
Tenho a sorte de ir tropeçando e de ter à minha volta, cada vez mais, pessoas que me acrescentam.
quinta-feira, 13 de março de 2008
Olhar, mais além...
Não te analises.
Não procures no perfume das flores
a tempestades das raízes.
Nem queiras
desatar o fumo
do carvão das fogueiras.
Ama
com ossos de cinza
e cabelos de chama.
E deixa-te viver
Em rio a correr…
(de Poeta Militante II, 1978)
José Gomes Ferreira
Copiado do http://ruialme.blogspot.com/
sábado, 8 de março de 2008
À Francisca...
Dia da Mulher...
Continuei a fazer os meus trabalhos, a porta de saída para a minha vida. Alheada dos gritos entre os dois, estoirada, depois de ter feito os dela, como sempre, para entregar no curso do IEFP e justificar o subsídio de desemprego. Há anos que ela não fazia nada, nem procurava fazer.
Os gémeos choravam.
II
Os gritos e as vozes deles aumentaram e aproximaram-se do meu quarto.
- Maria porque é que não fizeste o jantar, eu disse-te para limpares o pó do meu quarto, o teu pai está furioso contigo, não fazes nada. Vês, eu não te digo que ela é uma inútil, uma preguiçosa, tens que a castigar – gritava ela vermelha.
- Vem imediatamente fazer o jantar, ou não sabes o que te acontece, tenho fome.
Senti-o descontrolado e temi o pior.
Tarde demais, entraram os dois no meu quarto, ele à frente transfigurado de raiva, de vinho e com o cabo da vassoura empunhado. Adivinhando o pior, tentei fugir mas fiquei encurralada.
III
Não sei quanto tempo depois voltei a mim, no chão. A cabeça latejava, as dores eram insuportáveis. Eles olhavam para mim. Os gémeos gritavam na sala.
- Temos que a levar ao hospital, não parece bem.
- Vai tu.
IV
- Estas marcas no ombro e nas costas estão muito feias e a pancada da cabeça preocupa-me, poderá ter consequências. Traumatismo craneano. Uma queda Maria?
- Pois senhor doutor ela caiu – disse ela encenando a sua voz mais preocupada.
- Tens a certeza que caíste Maria?
Olhei para ela, para o médico e balbuciei com a voz trémula e pouco convicta:
- Sim caí - E rezei para que ele não acreditasse.
Mas ele acreditou... ou quis acreditar!
Fechei os olhos e pensei pela milésima vez na frase mágica que me dá força quando o corpo e a alma me doem:
“Já só faltam 2 anos para a minha vida começar!”
____________________________
Esta é uma história real. Passada em Lisboa, 2008. Uma das muitas situações com que infelizmente sou obrigada a lidar, no meu dia a dia profissional.
Dia Internacional da Mulher.
Poema do amigo aprendiz...

Quero ser o teu amigo. Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...
Padre Zézinho
sexta-feira, 7 de março de 2008
Aos meus AMIGOS...
Sou Feliz por vos ter...
Mesmo quando não vos vejo...
Mesmo quando não vos sinto por perto...
Mesmo quando há um oceano pelo meio,
uma rua, um amor ou a correria dos dias.
Sou o que sou, também porque existem...
É bom ter-vos a todos na minha vida!
(está lamechas mas não faz mal)
domingo, 2 de março de 2008
sábado, 1 de março de 2008
À Luísa...

Encontrei este texto que escrevi quando tinha a tua idade.
Quando temos 15 anos queremos chegar rapidamente aos 20, quando os 20 chegam queremos que os 30 demorem a chegar. Os 30 voam e logo aparecem os “entas” que são sempre rodeados de muitas neblinas, avisando-nos que nada é para sempre.
Também eu tenho um bocadinho de medo dos “entas”. Quem gosta de sentir o desvanecer da juventude??
Hoje nos meus quase “entas”, começo a caminhar num outro sentido, dou talvez mais valor aos momentos, às emoções, às conversas atiradas ao vento, às trocas. Começo a olhar para os mais novos sentindo o meu desenvolvimento interior e a perceber a riqueza que acumulei nestes últimos 39 anos. A neblina dos “entas” está lá, mas agora sei que furando a neblina encontrarei sempre o sol e as estrelas e viverei os momentos especiais que nos podem proporcionar. Tenho também a sorte de ter um irmão que já entrou nos “entas”, provando-me todos os dias que esta fase da vida pode ser deliciosa. Podemos afinal chegar aos 50 sem rugas, bonitos e com o encanto todo especial que só a maturidade pode trazer e ainda podemos fazer felizes os outros que estão à nossa volta.
“ENTA” mais do que rimar com AGUENTA deve rimar com ENFRENTA!
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Tenho tanto sentimento...
Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
Fernando Pessoa - Cancioneiro- 18/09/193
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
"Tenho medo que a liberdade se torne um vício"...*
Voltarei ao “meu” Montálban...
* In Rio das Flores
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Comunicar...
Minha aldeia é todo o mundo.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Catacuzes, Carrasquinhas e porque não Espargos...
Vinha hoje a caminho de casa, quando alguém, no rádio do carro, falava com entusiasmo das delícias de um belo “Feijão com catacuzes e carrasquinhas acompanhado com carapaus fritos”, um “Cozido de grão com carrasquinhas”, uma maravilhosa “Sopa de catacuzes com bacalhau e ovos” e umas “Migas de espargos”.
Senti-me completamente à nora na conversa uma vez que de tão apetitosa e promissora ementa desconhecia completamente de que Reino seriam os “catacuzes” e as “carrasquinhas”.
Apenas salva pelos ESPARGOS, lembrei-me então de um episódio curioso, passado há uns anos atrás.
Um belo dia, comentava com uma colega de trabalho que tinha ficado incrédula com a pergunta de um jovem adulto (25 anos) quando confrontado à mesa com um prato de espargos, olhando para o aspecto dos ditos cujos, perguntou se era peixe.
Perante a nossa expressão incrédula, uma colega que também ouvia a conversa, resolveu intervir e perguntou, a medo, se seria o espargo um vegetal, perante o nosso olhar escandalizado apressou-se a afirmar que tinha a certeza que era um vegetal. O pior foi quando lhe pedimos para descrever o aspecto do “animal”.
Resolvi então fazer uma pequena investigação caseira sobre o assunto.
Pesquei, ou seja, deveria dizer caçei, um outro colega que por azar passava no corredor e perguntei-lhe o que era um espargo (para fazer o favor de me explicar).
Depois de pensar e vacilar um pouco, disse, felizmente, ser claramente do Reino Vegetal.
Ao meu pedido para esclarecer o aspecto, disse-me convicto "estás a ver o espinafre? é parecido..." Ainda incrédula perguntei: "ahhhhh do tipo do agrião?" ao que ele me respondeu sem dúvida alguma e com um aceno da cabeça: "sim, um vegetal parecido com o agrião".
Não achei isto nada normal.
E se os médicos mandam comer espargos?
A minha investigação caseira, acabou de imediato, com uma amostragem de dois sujeitos, não fosse encontrar quem me afirmasse, sem dúvida, um ESPARGO pertencer ao Reino Mineral.
Que raio! Mas como é que alguém, não sabe o que é um espargo?
“Pela boca morre o peixe”, hoje fui confrontada com a minha ignorância gastronómica, pelos vistos tipicamente portuguesa. Apenas tenho a certeza de que catacuzes e carrasquinhas não pertencem ao Reino Mineral.
Moral da história:
“Em boca fechada não entra mosquito” e “o saber não ocupa lugar”.
Para saber mais:http://infoagro.cothn.pt/portal/index.php?id=3217
http://correio-mor.blogspot.com/2007/02/catacuzescarrasquinhosespargos-e-azedas.html
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Um ciclo que não acaba... NUNCA...
Tenho dado pelo mau tempo claro!Mas, com os meus bens salvaguardados, ouvindo a chuva e a trovoada lá fora, no aconchego do meu lar.
Hoje tropecei nas imagens da SIC.
Gente com muito pouco que ainda ficou com menos, marcada pelo desespero de ver as suas “casas” inundadas com 2 metros de altura. Com o nada reduzido a coisa nenhuma.
Fiquei mexida, porque neste país cada vez está mais difícil quebrar o ciclo de pobreza. Confronto-me diariamente com essa realidade escondida que apenas “vem a lume” quando demasiados reparam.
Como se quebra o ciclo?
Educação/Formação.
Chegará?
domingo, 10 de fevereiro de 2008
À Joaninha...
Tivemos tudo a que se tem direito, nestes dias: folia, almoço preferido, passeios com sol e à beira mar, conversas mil, gomas coloridas (os pais que não leiam), muitas fotos para a posteridade, compras, risos, muitos desejos realizados, muito carinho e cumplicidades trocadas.
E há lá coisa melhor que sentir, ao fim de um dia fantástico, uns bracinhos, num abraço apertado acompanhado de um sorriso franco e de umas palavras milagrosas.
“Adoro-te Madrinha”.
(...)
Fernando Pessoa, In Liberdade
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Amar...
" Quem nunca sofreu por amor nunca aprenderá a amar. Amar é o terror de perder o outro, é o medo do silêncio e do quarto deserto, de tudo o que se pensa sem poder falar, do que se murmura a sós sem ter a quem dizer em voz alta. É preciso sentir esse terror para saber o que é amar. E, quando tudo enfim desaba, quando o outro partiu e deixou atrás de si o silêncio e o quarto deserto, por entre os escombros e a humilhação de uma felicidade desfeita, resta o orgulho de saber que se amou."
Miguel Sousa Tavares, In Rio da Flores, pp 583
E não é que MST continua a surpreender-me!
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Augusto Tomás...

De 13 a 17 de Fevereiro começa o "Madrid Art"
Um salão de Arte Moderna e Contemporanea de referência.
Portugal vai estar presente.
E eu, também gostaria de me perder por lá.
Tenho 4 bilhetes, já não falta tudo!
Augusto Tomás, uma estreia ao lado de Júlio Pomar, Francisco Simões, Júlio Resende, Rogério Ribeiro e muitos mais.
Gostaria de ser mosca!
Aqui fica o site para aguçar apetites:
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Para que conste...
domingo, 27 de janeiro de 2008
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Sem ti...
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Uma surpresa...
domingo, 20 de janeiro de 2008
sábado, 19 de janeiro de 2008
Crise de Identidade...
Tenho sempre a sensação, quando me dirijo a serviços públicos para tratar de “assuntos”, que chego na hora errada ao local errado.
Peculiaridades à parte, sobrevivo, apesar de tudo, à minha primeira incursão no Centro de Saúde a que pertenço.
Em casa, olho para o papel da inscrição no dito centro que serve de cartão e que me abre as portas para este nosso maravilhoso sistema de saúde.
O cartão, só estará pronto daqui a 9 meses.
Nove meses??? Pergunto-me, quem fará os cartões?
Incrédula, olho as letras que me identificam.
Teka
Sexo: MASCULINO
Com a auto-estima arrasada pela febre e pelos dias a deambular sentimentos e pensamentos, por lugares nada recomendáveis, olho-me ao espelho.
Realmente, o meu buço e as roupas pouco femininas, vestidas à pressa e sem gosto, falam por si.
E não viu a senhora, os meus pelos nas pernas.
Como diria o meu pai, num encolher de ombros, sábio:
“É o que temos!”
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Passa a outro e não ao mesmo...
Entusiasmada começou o dia, o ano, a vida...
“Bom Dia, Futuro!”
Subiu a escada energicamente.
Não saltou a rotina da sua bica matinal.
Trocou os sorrisos e as frases circunstanciais com que se começam as manhãs.
Consultou a agenda.
Desafios previstos.
Seria um excelente dia.
Batem à porta.
“- Temos um problema!”
Levantou-se, sorriu, avançou.
“- Tudo se resolve!”
À sua frente uma mulher madura, desgrenhada e desalinhada, soluçava.
Sentou-a, conteve-a no seu sofrimento interior, na sua amargura sentida.
A mulher tossia, fungava, gesticulava numa urgência de largar e afastar de si sentimentos, agruras, vida perdida e fluidos... muitos fluidos.
Incongruente, procurou discretamente com o olhar, a sempre presente caixa de lenços de papel.
“Bolas acabaram!”
A mulher desidratava mais e mais, visivelmente perturbada e entupida.
Por entre um discurso entrecortado por sonoros soluços e projectados espirros, lá ia secando, como podia, às mãos, às mangas do casaco e ao cabelo, todo o mal estar que sentia.
Serenamente, num esforço de concentração sobre-humano, abstraiu-se de tantos líquidos mal parados e escutou o mais empaticamente possível.
Passada a tempestade instala-se sempre a bonança e a mulher, visivelmente mais calma, levanta-se. Com um sorriso meigo e um ar pacificado, estende-lhe agradecida a mão direita para selar a despedida.
Acompanha-a à porta na ânsia secreta que a mão estendida procure um bolso ou um lenço inexistente.
Abre a porta e vira-se lentamente.
Esboça um sorriso. Com coragem respira fundo e enfrenta a mão, ainda molhada, que não baixou.
“- Obrigada! Sinto-me muito melhor.”
Desmonta o sorriso, olha a mulher desgrenhada que se afasta.
Contempla a mão e suspira.
“Ossos do ofício!”
Dois dias depois, em casa, a alucinar com quase 40 graus de febre, diz mal da sua vida.
Sente-se triste, impotente, desgrenhada, presa e só.
“Qual Bom Dia Futuro?”
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
"Manual do Amor"...

Este é um filme despretensioso.
Um filme de pessoas para pessoas e que convida às conversas – como eu gosto deles.
Os vários aspectos das relações amorosas entre as pessoas, o enamoramento, a crise, a traição e o abandono, tratados com simplicidade e mestria, com a vantagem de ser italiano.
Um filme onde é fácil identificarmo-nos com uma ou outra cena. Também ajuda o facto de já eu ter vivido cada uma das quatro fases. É fácil esboçarmos um sorriso e reconhecer momentos e sentimentos passados.
Um filme de que gostei particularmente e que me soube muito bem ver, depois de um dia de trabalho e com um temporal de chuva e vento lá fora.
Um filme para ver no sofá, tranquilamente, a partilhar uma manta quentinha.
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
Bom Dia 2008...
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
Noite de Fim de Ano...
Ela chegou a casa ao fim de mais um dia de trabalho.
Bateu a porta atrás de si.
Acendeu as luzes e atirou a pasta para cima do sofá, descalçou os sapatos de salto alto que combinavam com o seu tailleur clássico e dirigiu-se à cozinha.
Abriu o frigorífico, encheu um copo de leite que bebeu de um trago.
Foi até ao quarto, atirou-se para cima da cama, fixou os olhos no tecto e tentou descontrair.
Mais um dia passara.
Mais umas decisões tomara, mais uns objectivos cumprira, mais algumas estratégias definira, para que nenhum cliente pudesse inventar defeitos.
Tinha fama de ser uma excelente profissional, todos admiravam a sua competência, vivendo rodeada de telefonemas, solicitações, almoços e jantares de trabalho, reuniões urgentes. Os seus pareceres técnicos eram pagos a peso de ouro, a sua agenda preenchida até ao último minuto, mas… voltava sempre para casa só… e… só ficava, até no dia seguinte o despertador tocar e mergulhar de novo na vida.
Nunca pensava muito nisso, mas hoje era uma noite especial, hoje era a noite em que ninguém queria ficar só, hoje era a noite em que ninguém ia sair com ela, por mais números de telefone que marcasse percorrendo a sua agenda de A a Z.
Hoje ia ficar só, tristemente só.
Sentiu uma lágrima a percorrer-lhe o rosto e para não sentir as outras que teimavam em saltar, levantou-se bruscamente e foi até à sala.
Olhou o pinheiro enfeitado e acendeu-lhe as luzes dando-lhe uma nova vida.
Sorriu, afinal hoje era noite de Fim de Ano, merecia um pouco de cor, brilho e alegria apesar de não ter ninguém com quem a partilhar.
Será que não teria mesmo?
Subitamente foi até ao outro canto da sala, ligou o computador e aquela maravilhosa ADSL que lhe trazia o mundo e lhe permitia o sonho.
Sentou-se à frente do écran colorido e bastaram-lhe alguns segundos para digitar username, password e entrar no universo virtual.
Ansiosamente conectou um server de IRC e entrou num qualquer canal, em busca de alguém que a pudesse conter, nessa solidão imensa que sentia.
Olhou para todos os nicks presentes no canal, respirou fundo e com a certeza de ser ouvida pelo menos por um deles teclou, sem hesitar:
“Olá! Eu sou a Sweet e esta noite não quero ficar só”.
Imediatamente uma janela se abriu no seu monitor e ela sentiu o seu coração bater mais forte, ao ler a mensagem:
“Olá! Eu sou o Frog e esta noite também não quero ficar só”.
Ela sorriu e suspirou aliviada, pelo menos este ano teria alguém com quem partilhar a última noite do ano e brindar a chegada de 2008.



















