quinta-feira, 3 de abril de 2008

Crónica de um passeio...


Depois de uma semana pautada por trabalhos e canseiras, um passeio anunciado promete repor energias.
Depois de uma alvorada em que consegui não me atrasar (às ordens meu Comandante) rumamos ao Alentejo profundo.

O destino, a Herdade do Monte Novo e Figueirinha (www.montenovoefigueirinha.pt/), local onde se produz bom vinho e bom azeite, dito por quem sabe.
De um lado as vinhas,
do outro o olival,
distribuídos por 300 hectares a perder de vista.
O tempo ajudou o guia que explicou a produção de vinho e de azeite ao pormenor. Os registos fotográficos ficam para a posteridade.
Foi muito interessante verificar o cuidado, a ciência e a paixão do enólogo responsável pela produção de tão precioso néctar. Nada é deixado ao acaso, o solo, a escolha das castas, a apanha, a vinificação nestes lagares mecanizados onde, segundo percebi, as uvas são pisadas como no passado, mas sem pés, logo em perfeitas condições higiénicas (ASAE daqui não levas nada).

Depois é o estágio, antes de ser engarrafado,

nos tonéis de carvalho que vêm directamente das florestas de Allier e são de primeira qualidade.

Finalmente a prova, acompanhada pela verdadeira gastronomia alentejana e pela excelente companhia.

Ao anoitecer, dentro de portas, regam-se as conversas, troca-se vida, soltam-se gargalhadas genuínas ao sabor de relatos únicos.
Aprende-se, sente-se, guardam-se momentos...

Amanheço, reconfortada, tranquila, com a sensação de que nunca mais haverá neblinas.

Acordar no “Monte Saraz” (http://www.montesaraz.com/) ajuda.

Lugar de recantos e encantos...

...onde o sonho pode acontecer...

...onde apetece escrever, pintar, partilhar, sem parar, aquilo que nos vai pela alma.

Um espaço que convida ao descanço, fora e...

... dentro de portas.
Há tempo para uma visita a Monsaraz, uma das vilas mais antigas que parece ter ficado parada no tempo. Ao longe, a água da Barragem do Alqueva.
A sua bonita entrada, convida a palmilhar as ruas estreitas, onde parece que ainda se ouvem os cavaleiros dos Templários que a conquistaram aos Mouros.
(desenho "emprestado" pelo Desenhador do Quotidiano http://diario-grafico.blogspot.com/ )

As lojas de artesanato com os seus produtos regionais.
(desenho "emprestado" do Desenhador do Quotidiano http://diario-grafico.blogspot.com/ )
Na praça central, a feira de velharias, no último Domingo de cada mês, fazem as nossas delícias...
...entusiasmados encontramos bocadinhos de vida, do tempo das nossas avós.
http://monsarazemfotos.blogspot.com/
A Monsaraz prometemos voltar!

"O Chico", recomendado por quem sabe, acolhe-nos nas últimas conversas, onde a sopa de cardos e a sopa de beldroegas foram rainhas, regadas pelo precioso néctar alentejano e aconchegadas pela sericaia. Sem palavras!
De volta à minha Lisboa retenho imagens, sons, perfumes e conversas que me “acrescentaram”. Dentro de mim, brindo à Amizade.
Baterias recarregadas, amanhã mergulho de novo na vida.
"Não vejo, sem pensar."
(Fernando Pessoa, O Livro do Desassossego)

terça-feira, 1 de abril de 2008

Dia das Mentiras...



O Anterozoide no seu melhor!
http://antero.wordpress.com/

Ela...


Imediatamente, sem reflectir, aceitou o convite para jantar.
Dois segundos depois sentiu o coração a bater desordenadamente.
Arrependida, não teve coragem de desmarcar. Sentou-se, parou e reflectiu. Acabara de aceitar sair com um homem de que apenas sabia o nome próprio, o e-mail, o telemóvel e dava-lhe para a mão a sua morada.
Não se reconheceu, mas a curiosidade e 20 dias de uma história inventada a duas mãos, bem construída, recheada de desencontros, jogos de sedução, apontamentos sentidos e poesias bem escolhidas, aguçaram-lhe o apetite.
Quem estaria do outro lado daquele monitor colorido que nas últimas semanas a tinha deixado pregada, com pressa de chegar a casa e a tinha feito sorrir como há muito não o fazia?
Quem seria esse homem misterioso pelo qual tinha palmilhado Praga à procura de um cyber café e jogado desesperadamente ao “gesto é tudo” para conseguir, do surpreendido checo, uma impressão das últimas palavras de um Café Inventado.
Como seria aquele homem que transpirava sedução?
Um jantar é um jantar e a conversa adivinhava-se interessante, nada de mal lhe podia acontecer... pelo menos era o que sentia.
O calor estava sufocante, relaxou debaixo do chuveiro, sentiu a água a arrefecer o seu corpo.
Espalhou o creme com cuidado, escolheu um par de jeans desbotados e vestiu uma camisa branca com bordados com que se sentia bem.
Realçou os olhos, colocou o seu perfume preferido no pescoço, entre os seios, olhou-se ao espelho.
Aguardou com o coração aos pulos, ainda meia desconfortável com a decisão que tomara.
Uma sms anuncia a chegada, fecha a porta de casa entra no elevador e sente os benefícios da adrenalina.
À sua espera, um príncipe!
Inundou-a, de mimos, de palavras com sentido, de vida...

A noite estava fantástica, estrelada, quente, de lua cheia.
Ela...
Sentiu o calor do momento, do excelente “duas quintas” e do abraço inesperado.
Caminhou descalça naquele deck perfeito com as sandálias na mão.
A cabeça e o corpo em lugares opostos dos sentidos.
Ele...
Um dia partiu, livre como tinha chegado, no seu cavalo alado.
E, Ela acordou...

segunda-feira, 31 de março de 2008

sexta-feira, 28 de março de 2008

"Antes de Começar"...

(...)
"A BONECA - Mas tu não vês que eu sou pequenina... que não tenho forças... que eu não sou como o mar que não se gasta!... tu não vês que eu passo depressa?

O BONECO - Por mais depressa que passes, o teu coração espera por ti... o teu coração não espera mais ninguém... Se tu não vieres, o teu coração não espera mais ninguém... Se tu não vieres nunca, o teu coração não conta, não ouve. É como se não tivesse havido coração. Por mais depressa que passes, dá-te inteira ao teu coração... Porque só sabe do tempo quem não traz coração... o tempo é pecado de quem não sabe amar!!!

A BONECA - Ah!... é assim, juro! É exactamente assim que bate o coração!

O BONECO - Acredita no coração! Ele sabe de cor o que quer!... Não foi necessário ao coração ir aprender o que queria... A nossa cabeça é que precisa de aprender o que quer o coração!

A BONECA - É assim que bate o coração...

O BONECO - O coração nunca está só... O nosso coração é nosso, ele não pode viver sem aquele a quem pertence... ele espera por nós!

A BONECA - Às vezes, a cabeça quer ser mais do que o coração... e fica de costas viradas p'ro coração!

O BONECO - A cabeça não deve ser senão o que o coração quiser! Nunca é o coração que nos falta, somos nós que faltamos ao coração!

A BONECA - Ah!... é assim, juro, é assim que bate o coração!...

O BONECO - Só não entende o coração quem não sabe escutá-lo... ele está sempre a contar aquela hora por que se espera... aquela hora que existe p'ralém da sabedoria... e que tem a forma simplicíssima dum coração natural!...

Excerto da peça “Antes de Começar”, de Almada Negreiros
(muito bonito Luzinhas Epeciais e Sempre Atentas... Hoje é o Dia)

quinta-feira, 27 de março de 2008

Quem tem Mãe tem tudo...

O jantar estava fantástico.

Aniversário...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a.olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui - ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas - doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .

Pára, meu coração!
Não penses!
Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

Álvaro de Campos 15-10-1929

quinta-feira, 20 de março de 2008

Primavera...



Olhos postos na terra, tu virás
no ritmo da própria primavera
e como as flores e os animais
abrirás as mãos de quem te espera.

Eugénio de Andrade

quarta-feira, 19 de março de 2008

Dia do Pai...



Hoje é um dia diferente!
Hoje tenho o meu pai comigo, não só no meu coração.
Os nossos Pais deveriam ser sempre únicos.
Os meus Pais são únicos.
O meu Pai é único.

Hoje, não pude deixar de pensar na Maria.
Pensei nas Marias deste país.
Quando hoje a Maria chegar a casa, pode ser que não tenha o “pai” empunhando o cabo da vassoura, a marcar este dia. Ou pode ser que tenha...
O que sentirá ela se tiver que comemorar o Dia do Pai?
No meu dia a dia, são os casos de maus tratos, os mais difíceis, os que mais me arrasam profissionalmente. Fico pouco tolerante, tenho tendência a esquecer-me da velha máxima académica de que “o agressor também foi vítima”.

Porque hoje é “Dia do Pai” e ainda estou muito “mexida” pela Maria, lembrei-me do meu primeiro caso: Uma criança de 6 anos espancada pelo “pai”, por um qualquer motivo fútil.
Uma coisa é ler nos livros, estudar formas de intervenção, lidar com agressor e agredido, avançar para a denúncia e negociação com a família, tudo explicado em letra de forma e com as partes fundamentais sublinhadas. Outra é ver o corpo de uma criança marcado e ouvir os pais que invariavelmente alegam supostas quedas para explicar as marcas que falam por si.
Eu, uma jovem profissional com pouca experiência, aguentei-me como pude, seguindo as regras frias do manual, que ensina tudo, menos a lidar com a paleta de cores pelas quais passam os nossos sentimentos numa situação como esta.

Lembro-me que quando cheguei ao carro trazia o mundo em cima dos ombros, a alma doída e desabei num choro incontrolável.
Senti necessidade de ligar ao meu Pai e de lhe transmitir como eu me sentia afortunada por tê-lo como Pai.
Do outro lado, a disponibilidade incondicional de sempre, a voz baixa, contentora, serena que até hoje me tranquiliza.
“Também é muito bom ter uma filha como tu”. Nunca me esquecerei desse dia.

Hoje, muitos sentirão saudades e celebrarão lembranças, vivências, momentos especiais. Outros quererão esquecer-se que algum dia tiveram um pai.

Meu Pai, obrigada!
Obrigada por tudo o que me foi passando ao longo da minha vida.
É muito bom ser sua filha.
(a foto - bailarina feita pelo meu Pai para mim)

Parabéns Hot Clube de Portugal...

Hoje o Hot Clube de Portugal faz 60 anos!
Continuo a gostar...
... de descer aquelas escadas estreitas, daquele local mítico e bafiento;
... do ambiente ecléctico, dos bancos desconfortáveis;
... de bater o compasso com os pés, enquanto saboreio o meu Favaios;
... de deixar que as improvisações me alimentem e me emocionem por dentro.
Um lugar onde o Jazz ainda é rei.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Ah, Les beaux esprits...

é que

s'as flores não são do campo e s'os amores só são de pranto
como dizia o outro
venh'o diabo e escolha qu'eu não sei assim tanto...

Salvador Nogueira
(um querido amigo)
In “as voltas dadas ao texto”. Hugin.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Momentos que valem a pena...

Numa destas noites vivi momentos especiais!
O local, um ícone da gastronomia portuguesa, “Adega das Gravatas”.
Os sabores perfeitos, desde as entradas, aos nacos, ao polvo na chapa regado com bom azeite, às sobremesas, aguçaram os apetites mais exigentes.
O vinho, encorpado, delicioso, escolhido por quem sabe e é atento ao prazer da degustação.
A companhia, as conversas, os sorrisos, as trocas de vida, encheram o tempo que não pareceu tempo
Pessoas bonitas por dentro, inteligentes, partilhas sentidas, conversas, momentos especiais que fazem a vida valer a pena.

“Há as pessoas que nos são indiferentes, há as pessoas que nos diminuem e há as pessoas que nos acrescentam” (João Lobo Antunes).

Tenho a sorte de ir tropeçando e de ter à minha volta, cada vez mais, pessoas que me acrescentam.

A repetir!

quinta-feira, 13 de março de 2008

Olhar, mais além...

XI
Não te analises.
Não procures no perfume das flores
a tempestades das raízes.
Nem queiras
desatar o fumo
do carvão das fogueiras.
Ama
com ossos de cinza
e cabelos de chama.
E deixa-te viver
Em rio a correr…

(de Poeta Militante II, 1978)
José Gomes Ferreira
Copiado do
http://ruialme.blogspot.com/

sábado, 8 de março de 2008

À Francisca...

Que nasceu hoje neste Dia da Mulher, uma bebé muito desejada por um casal muito especial e de quem gosto muito.
Muitas felicidades.

Dia da Mulher...

I
A porta da rua bateu com força, mais uma vez chegou a casa mal disposto, provavelmente cheio de vinho, o dia não lhe correu bem.
Continuei a fazer os meus trabalhos, a porta de saída para a minha vida. Alheada dos gritos entre os dois, estoirada, depois de ter feito os dela, como sempre, para entregar no curso do IEFP e justificar o subsídio de desemprego. Há anos que ela não fazia nada, nem procurava fazer.
Os gémeos choravam.
II
Os gritos e as vozes deles aumentaram e aproximaram-se do meu quarto.
- Maria porque é que não fizeste o jantar, eu disse-te para limpares o pó do meu quarto, o teu pai está furioso contigo, não fazes nada. Vês, eu não te digo que ela é uma inútil, uma preguiçosa, tens que a castigar – gritava ela vermelha.
- Vem imediatamente fazer o jantar, ou não sabes o que te acontece, tenho fome.
Senti-o descontrolado e temi o pior.
Tarde demais, entraram os dois no meu quarto, ele à frente transfigurado de raiva, de vinho e com o cabo da vassoura empunhado. Adivinhando o pior, tentei fugir mas fiquei encurralada.
III
Não sei quanto tempo depois voltei a mim, no chão. A cabeça latejava, as dores eram insuportáveis. Eles olhavam para mim. Os gémeos gritavam na sala.
- Temos que a levar ao hospital, não parece bem.
- Vai tu.
IV
- Estas marcas no ombro e nas costas estão muito feias e a pancada da cabeça preocupa-me, poderá ter consequências. Traumatismo craneano. Uma queda Maria?
- Pois senhor doutor ela caiu – disse ela encenando a sua voz mais preocupada.
- Tens a certeza que caíste Maria?
Olhei para ela, para o médico e balbuciei com a voz trémula e pouco convicta:
- Sim caí - E rezei para que ele não acreditasse.

Mas ele acreditou... ou quis acreditar!

Fechei os olhos e pensei pela milésima vez na frase mágica que me dá força quando o corpo e a alma me doem:

“Já só faltam 2 anos para a minha vida começar!”

____________________________

Esta é uma história real. Passada em Lisboa, 2008. Uma das muitas situações com que infelizmente sou obrigada a lidar, no meu dia a dia profissional.
Serei feliz no dia em que não for necessário comemorar um
Dia Internacional da Mulher.

Poema do amigo aprendiz...



Quero ser o teu amigo. Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...

Padre Zézinho

sexta-feira, 7 de março de 2008

Aos meus AMIGOS...

Hoje acordei e senti muitas saudades vossas.
Sou Feliz por vos ter...
Mesmo quando não vos vejo...
Mesmo quando não vos sinto por perto...
Mesmo quando há um oceano pelo meio,
uma rua, um amor ou a correria dos dias.
Sou o que sou, também porque existem...
É bom ter-vos a todos na minha vida!

(está lamechas mas não faz mal)

domingo, 2 de março de 2008

De costas voltadas...


























































Na minha...

sábado, 1 de março de 2008

À Luísa...


Encontrei este texto que escrevi quando tinha a tua idade.

Quando temos 15 anos queremos chegar rapidamente aos 20, quando os 20 chegam queremos que os 30 demorem a chegar. Os 30 voam e logo aparecem os “entas” que são sempre rodeados de muitas neblinas, avisando-nos que nada é para sempre.
Também eu tenho um bocadinho de medo dos “entas”. Quem gosta de sentir o desvanecer da juventude??
Hoje nos meus quase “entas”, começo a caminhar num outro sentido, dou talvez mais valor aos momentos, às emoções, às conversas atiradas ao vento, às trocas. Começo a olhar para os mais novos sentindo o meu desenvolvimento interior e a perceber a riqueza que acumulei nestes últimos 39 anos. A neblina dos “entas” está lá, mas agora sei que furando a neblina encontrarei sempre o sol e as estrelas e viverei os momentos especiais que nos podem proporcionar. Tenho também a sorte de ter um irmão que já entrou nos “entas”, provando-me todos os dias que esta fase da vida pode ser deliciosa. Podemos afinal chegar aos 50 sem rugas, bonitos e com o encanto todo especial que só a maturidade pode trazer e ainda podemos fazer felizes os outros que estão à nossa volta.

“ENTA” mais do que rimar com AGUENTA deve rimar com ENFRENTA!

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Tenho tanto sentimento...

Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.


Fernando Pessoa - Cancioneiro- 18/09/193

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

"Tenho medo que a liberdade se torne um vício"...*

Acabei o “Rio das Flores”.

Levarei na bagagem da minha próxima viagem ao Brasil, Diogo Ascêncio Cortes Ribera Flores, e ficará por lá, ao lado de Francesca e Robert, não na “Fazenda Águas Claras”, mas no “Sítio da Casa Amarela”, um lugar ainda mais especial e que seria sem dúvida do seu agrado. O Éden onde eu guardo os meus livros.

Voltarei ao “meu” Montálban...
* In Rio das Flores

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Comunicar...

Minha aldeia é todo o mundo.
Todo o mundo me pertence.
Aqui me encontro e confundo
com gente de todo o mundo
que a todo o mundo pertence.
(...)
António Gedeão - A minha aldeia

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Catacuzes, Carrasquinhas e porque não Espargos...


Ainda há surpresas!
Vinha hoje a caminho de casa, quando alguém, no rádio do carro, falava com entusiasmo das delícias de um belo “Feijão com catacuzes e carrasquinhas acompanhado com carapaus fritos”, um “Cozido de grão com carrasquinhas”, uma maravilhosa “Sopa de catacuzes com bacalhau e ovos” e umas “Migas de espargos”.
Senti-me completamente à nora na conversa uma vez que de tão apetitosa e promissora ementa desconhecia completamente de que Reino seriam os “catacuzes” e as “carrasquinhas”.

Apenas salva pelos ESPARGOS, lembrei-me então de um episódio curioso, passado há uns anos atrás.
Um belo dia, comentava com uma colega de trabalho que tinha ficado incrédula com a pergunta de um jovem adulto (25 anos) quando confrontado à mesa com um prato de espargos, olhando para o aspecto dos ditos cujos, perguntou se era peixe.

Perante a nossa expressão incrédula, uma colega que também ouvia a conversa, resolveu intervir e perguntou, a medo, se seria o espargo um vegetal, perante o nosso olhar escandalizado apressou-se a afirmar que tinha a certeza que era um vegetal. O pior foi quando lhe pedimos para descrever o aspecto do “animal”.
Resolvi então fazer uma pequena investigação caseira sobre o assunto.

Pesquei, ou seja, deveria dizer caçei, um outro colega que por azar passava no corredor e perguntei-lhe o que era um espargo (para fazer o favor de me explicar).
Depois de pensar e vacilar um pouco, disse, felizmente, ser claramente do Reino Vegetal.
Ao meu pedido para esclarecer o aspecto, disse-me convicto "estás a ver o espinafre? é parecido..." Ainda incrédula perguntei: "ahhhhh do tipo do agrião?" ao que ele me respondeu sem dúvida alguma e com um aceno da cabeça: "sim, um vegetal parecido com o agrião".
Não achei isto nada normal.
E se os médicos mandam comer espargos?
A minha investigação caseira, acabou de imediato, com uma amostragem de dois sujeitos, não fosse encontrar quem me afirmasse, sem dúvida, um ESPARGO pertencer ao Reino Mineral.
Que raio! Mas como é que alguém, não sabe o que é um espargo?

“Pela boca morre o peixe”, hoje fui confrontada com a minha ignorância gastronómica, pelos vistos tipicamente portuguesa. Apenas tenho a certeza de que catacuzes e carrasquinhas não pertencem ao Reino Mineral.

Moral da história:
“Em boca fechada não entra mosquito” e “o saber não ocupa lugar”.


Para saber mais:
http://infoagro.cothn.pt/portal/index.php?id=3217
http://correio-mor.blogspot.com/2007/02/catacuzescarrasquinhosespargos-e-azedas.html

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Um ciclo que não acaba... NUNCA...

Tenho andado num pico de actividade profissional, que me tem deixado distraída dos telejornais. De manhã durante os 15Km que me separam de casa ao meu local de trabalho, deixo-me actualizar qb, pela TSF.

Tenho dado pelo mau tempo claro!
Mas, com os meus bens salvaguardados, ouvindo a chuva e a trovoada lá fora, no aconchego do meu lar.

Hoje tropecei nas imagens da SIC.
Gente com muito pouco que ainda ficou com menos, marcada pelo desespero de ver as suas “casas” inundadas com 2 metros de altura. Com o nada reduzido a coisa nenhuma.
Fiquei mexida, porque neste país cada vez está mais difícil quebrar o ciclo de pobreza. Confronto-me diariamente com essa realidade escondida que apenas “vem a lume” quando demasiados reparam.
Como se quebra o ciclo?
Educação/Formação.
Chegará?

domingo, 10 de fevereiro de 2008

À Joaninha...










Ontem foi dia de mimar.

Tivemos tudo a que se tem direito, nestes dias: folia, almoço preferido, passeios com sol e à beira mar, conversas mil, gomas coloridas (os pais que não leiam), muitas fotos para a posteridade, compras, risos, muitos desejos realizados, muito carinho e cumplicidades trocadas.

E há lá coisa melhor que sentir, ao fim de um dia fantástico, uns bracinhos, num abraço apertado acompanhado de um sorriso franco e de umas palavras milagrosas.

“Adoro-te Madrinha”.
(...)
Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
(...)
Fernando Pessoa, In Liberdade

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Amar...

" Quem nunca sofreu por amor nunca aprenderá a amar. Amar é o terror de perder o outro, é o medo do silêncio e do quarto deserto, de tudo o que se pensa sem poder falar, do que se murmura a sós sem ter a quem dizer em voz alta. É preciso sentir esse terror para saber o que é amar. E, quando tudo enfim desaba, quando o outro partiu e deixou atrás de si o silêncio e o quarto deserto, por entre os escombros e a humilhação de uma felicidade desfeita, resta o orgulho de saber que se amou."

Miguel Sousa Tavares, In Rio da Flores, pp 583

E não é que MST continua a surpreender-me!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Augusto Tomás...




De 13 a 17 de Fevereiro começa o "Madrid Art"

Um salão de Arte Moderna e Contemporanea de referência.

Portugal vai estar presente.

E eu, também gostaria de me perder por lá.

Tenho 4 bilhetes, já não falta tudo!

Augusto Tomás, uma estreia ao lado de Júlio Pomar, Francisco Simões, Júlio Resende, Rogério Ribeiro e muitos mais.

Gostaria de ser mosca!

Aqui fica o site para aguçar apetites:

http://www.art-madrid.com/

Arte...

"A Arte lava a alma do pó da vida de todos os dias"
Pablo Picasso

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Para que conste...


"Um corpo que não sonha é como uma casa desabitada - a ruína é o seu destino."
António Coimbra de Matos
In Mais amor - menos doença

domingo, 27 de janeiro de 2008

Ao Sol...







































sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Sem ti...


E de súbito desaba o silêncio.
É um silêncio sem ti,
sem álamos,
sem luas.
Só nas minhas mãos
ouço a música das tuas.
Eugénio de Andrade

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Uma surpresa...

"Obrigada por ter participado no programa «A história devida». A sua história foi seleccionada e vai ser lida em antena pelo Miguel Guilherme na terça-feira, dia 5 de Fevereiro. Pode ouvi-la às 17h20, 21h20 ou 03h20, na Antena 1, da RDP."

domingo, 20 de janeiro de 2008

Calmaria...


sábado, 19 de janeiro de 2008

Crise de Identidade...


Tenho sempre a sensação, quando me dirijo a serviços públicos para tratar de “assuntos”, que chego na hora errada ao local errado.
Peculiaridades à parte, sobrevivo, apesar de tudo, à minha primeira incursão no Centro de Saúde a que pertenço.

Em casa, olho para o papel da inscrição no dito centro que serve de cartão e que me abre as portas para este nosso maravilhoso sistema de saúde.
O cartão, só estará pronto daqui a 9 meses.
Nove meses??? Pergunto-me, quem fará os cartões?

Incrédula, olho as letras que me identificam.
Teka
Sexo: MASCULINO

Com a auto-estima arrasada pela febre e pelos dias a deambular sentimentos e pensamentos, por lugares nada recomendáveis, olho-me ao espelho.
Realmente, o meu buço e as roupas pouco femininas, vestidas à pressa e sem gosto, falam por si.
E não viu a senhora, os meus pelos nas pernas.

Como diria o meu pai, num encolher de ombros, sábio:

“É o que temos!”