sábado, 24 de maio de 2008

Corações...


Um filme de Alain Resnais que retrata com mestria as diferentes solidões.

Um filme belíssimo!

"Thierry, um agente imobiliário, esforça-se para encontrar um apartamento para Nicole e Dan. Na agência, Charlotte, empresta-lhe a cassete de uma emissão de tv que ela adora, "Estas canções que mudaram a minha vida", visão que muito perturbará Thierry. A irmã de Thierry, Gaelle, procura secretamente o amor em anúncios de jornais. Dan passa os seus dias no bar, onde confia a Lionel, o barman, as suas desventuras amorosas. Lionel recorre a uma benévola mulher para tratar do seu pai, Artur, um velho doente e colérico. É Charlotte que aparece. Desta forma, o movimento de uma personagem pode fazer pender o destino de outra sem o conhecer ou mesmo encontrar."

Um filme que nos deixa a pensar nas nossas próprias solidões e nos nossos Mecanismos de Defesa para as enfrentar dia após dia.
A Solidão, qualquer que ela seja, é dura!

Estar só, não é para todos...

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Baú...


E não é que no tempo da outra senhora, era preciso uma licença para usar um isqueiro!

terça-feira, 20 de maio de 2008

Momentos bons...


"O Restaurante Solar dos Nunes, especialmente dedicado à rica tradição gastronómica da região do Alentejo, é uma referência gastronómica na restauração lisboeta. Um espaço rústico e acolhedor onde o acolhimento afectuoso e a qualidade do serviço fazem deste restaurante um espaço a visitar.
Queijos, fumados, pratos e doçaria conventual, sem esquecer a proficiente garrafeira, as especialidades deste restaurante são tradicionalmente confeccionadas a partir de ingredientes seleccionados, fazendo as delicias a qualquer bom garfo.
O restaurante Solar dos Nunes é fruto da dedicação de uma família que coordena uma equipa unida sempre pronta a agradar os clientes e amigos.Simpatia, determinação, transparência, respeito e profissionalismo são as máximas que sustentam este palco da tradição gastronómica do Alentejo em Lisboa."
Rua dos Lusíadas, Nº 70, 1300 - Lisboa
Telefone: 21 364 73 59
Uma sopa de cação fumegante...
Vidas que se trocam...
Momentos que se querem especiais, que se desejam intensos, que se sonham intermináveis.
Chego a casa, fecho a porta.
Sinto o vazio.
Amanhã o despertador toca às 7h em ponto!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Um ano a partilhar apontamentos...

Ainda não sei se gosto de ter um Blogue!

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Frases que valem por si...

"Estudos recentes comprovam, fumar em aviões ajuda a deixar de fumar."
In
http://arcebispodecantuaria.blogs.sapo.pt/


sábado, 10 de maio de 2008

A não perder...


Um documentário perturbador para, quem como eu, pouco deu pela Ditadura.
Decorria o ano de 1959 e chegavam às casas dos portugueses cartas. Escritos de mobilização a um movimento de mulheres que se desconhecia existir. O objectivo, perpetuar o regime de Salazar, chamar mais mulheres para a “causa” sob a capa do “Deus, Pátria e Família”.
Algumas daquelas mulheres que responderam às cartas, pareciam-se com a minha avó, o mesmo penteado, o mesmo tipo de vestido, o mesmo jeito de tapar os joelhos com as mãos enrugadas, algumas, as mesmas vivências. Os discursos, certamente muito diferentes dos de uma senhora nascida em 1904, filha de pais divorciados, uma mulher lutadora, com a 4ª Classe, que aos 21 anos tirava a carta de condução. Hoje tenho pena de não lhe ter feito mais perguntas, sabido mais daqueles tempos. Lembro-me que era sempre das primeiras a depositar o seu voto assim que abriam as mesas até aos seus 90 anos, orgulhosa da sua idade e do direito adquirido com a chegada da liberdade, “dantes as mulheres não podiam votar” esclarecia.
Um documentário a não perder, muito bem realizado que nos perturba e faz dar mais valor à liberdade em que vivemos. O tempo voou, num desfilar de imagens e sentimentos que elas me provocaram por dentro.
Senti-me ambivalente, com a beleza das imagens e a crueza da época que retratam.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Um Conto Americano...


"Um jovem inventor concebe um motor que funciona apenas a água e julga, assim, ter encontrado o caminho para a fama e fortuna. Nos seus sonhos imagina-se a viver numa herdade, longe da urbe industrial, feliz, na companhia da irmã. Mas as suas expectativas vão ser goradas pela poderosa máquina das empresas, que cobiçam a patente de um invento tão rentável."
Vale a pena entrar no nosso Teatro Nacional D. Maria II.
Continua a ser um lugar especial que me transporta ao reino do faz-de-conta, onde consigo deixar o meu mundo corrido e me permito vaguear noutros espaços e noutros tempos.
Além de um café simpático e de uma excelente livraria temática, esta peça de David Mamet é um motivo acrescido para se passar pelo Rossio.
O texto não é fantástico, mas é compensado pelo ritmo dos actores em palco, pelas interpretações, desde a personagem patusca da Lourdes Norberto à cegueira da Paula Neves, culminando com a cenografia de Nuno Gabriel de Mello (um nome a reter).
Esta peça vale pelos cenários que se transformam a cada minuto, num movimento incessante que fascina.
A moral: o pior do mundo são mesmo as pessoas!
Uma noite bem passada.

terça-feira, 6 de maio de 2008


"Gosto de gostar de ti"

domingo, 4 de maio de 2008

Só as mães sabem aquilo que precisamos mesmo de ouvir...




Dia da Mãe...


Os meus pais são únicos.
A minha mãe é única!
Este é o dia em que quero que ela se sinta especial, mais do que em todos os outros, pelo muito que nos tem dado ao longo da sua vida.

À semelhança do que já escrevi, lido, penosamente, todos os dias, com jovens que se querem esquecer que têm pais. Como mulher acho ainda menos tolerante que, embora seja mais raro, haja mães que maltratem os filhos.
As mães são as únicas pessoas no mundo que nos podem amar incondicionalmente...
Eu, sinto-me especial porque:
Tenho uma mãe que me senta ao colo independentemente da minha idade;
Tenho uma mãe que me beija e abraça sem pedir nada em troca;
Tenho uma mãe que é a única pessoa a dizer que aquele casaco que adoro, me fica mesmo mal.
Tenho uma mãe que me acha uma excelente profissional;
Tenho uma mãe que me enche de “mimos” e compra aquelas coisas que só ela descobre;

Tenho uma mãe que me contem as lágrimas, naqueles dias em que o mundo desaba;
Tenho uma Mãe!
Gosto muito de ser sua filha...

Também tenho uma irmã... que é Mãe.

sábado, 3 de maio de 2008

Interrogação...


De manhã abri um iogurte natural. Na tampa, do lado de dentro a simpática mensagem “saudades tuas”.
Ontem bebi um café. No pacote: “um dia encho-te o quarto de flores”.
Agora, como um iogurte que abri ansiosa e cuidadosamente para não danificar o escrito interno “és o meu sorriso”.
Fico a pensar no significado de tantos mimos, tantos cuidados que me são dirigidos, enquanto consumidora.
Isto quer dizer o quê?

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Uma boa partilha de um amigo...


Maio maduro Maio
Quem te pintou
Quem te quebrou o encanto
Nunca te amou
Raiava o Sol já no Sul
E uma falua vinha
Lá de Istambul

Sempre depois da sesta
Chamando as flores
Era o dia da festa
Maio de amores
Era o dia de cantar
E uma falua andava
Ao longe a varar

Maio com meu amigo
Quem dera já
Sempre depois do trigo
Se cantará
Qu'importa a fúria do mar
Que a voz não te esmoreça
Vamos lutar

Numa rua comprida
El-rei pastor
Vende o soro da vida
Que mata a dor
Venham ver, Maio nasceu
Que a voz não te esmoreça
A turba rompeu

Zeca Afonso

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Liberdade...


sábado, 19 de abril de 2008

segunda-feira, 14 de abril de 2008

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Crónica de um passeio...


Depois de uma semana pautada por trabalhos e canseiras, um passeio anunciado promete repor energias.
Depois de uma alvorada em que consegui não me atrasar (às ordens meu Comandante) rumamos ao Alentejo profundo.

O destino, a Herdade do Monte Novo e Figueirinha (www.montenovoefigueirinha.pt/), local onde se produz bom vinho e bom azeite, dito por quem sabe.
De um lado as vinhas,
do outro o olival,
distribuídos por 300 hectares a perder de vista.
O tempo ajudou o guia que explicou a produção de vinho e de azeite ao pormenor. Os registos fotográficos ficam para a posteridade.
Foi muito interessante verificar o cuidado, a ciência e a paixão do enólogo responsável pela produção de tão precioso néctar. Nada é deixado ao acaso, o solo, a escolha das castas, a apanha, a vinificação nestes lagares mecanizados onde, segundo percebi, as uvas são pisadas como no passado, mas sem pés, logo em perfeitas condições higiénicas (ASAE daqui não levas nada).

Depois é o estágio, antes de ser engarrafado,

nos tonéis de carvalho que vêm directamente das florestas de Allier e são de primeira qualidade.

Finalmente a prova, acompanhada pela verdadeira gastronomia alentejana e pela excelente companhia.

Ao anoitecer, dentro de portas, regam-se as conversas, troca-se vida, soltam-se gargalhadas genuínas ao sabor de relatos únicos.
Aprende-se, sente-se, guardam-se momentos...

Amanheço, reconfortada, tranquila, com a sensação de que nunca mais haverá neblinas.

Acordar no “Monte Saraz” (http://www.montesaraz.com/) ajuda.

Lugar de recantos e encantos...

...onde o sonho pode acontecer...

...onde apetece escrever, pintar, partilhar, sem parar, aquilo que nos vai pela alma.

Um espaço que convida ao descanço, fora e...

... dentro de portas.
Há tempo para uma visita a Monsaraz, uma das vilas mais antigas que parece ter ficado parada no tempo. Ao longe, a água da Barragem do Alqueva.
A sua bonita entrada, convida a palmilhar as ruas estreitas, onde parece que ainda se ouvem os cavaleiros dos Templários que a conquistaram aos Mouros.
(desenho "emprestado" pelo Desenhador do Quotidiano http://diario-grafico.blogspot.com/ )

As lojas de artesanato com os seus produtos regionais.
(desenho "emprestado" do Desenhador do Quotidiano http://diario-grafico.blogspot.com/ )
Na praça central, a feira de velharias, no último Domingo de cada mês, fazem as nossas delícias...
...entusiasmados encontramos bocadinhos de vida, do tempo das nossas avós.
http://monsarazemfotos.blogspot.com/
A Monsaraz prometemos voltar!

"O Chico", recomendado por quem sabe, acolhe-nos nas últimas conversas, onde a sopa de cardos e a sopa de beldroegas foram rainhas, regadas pelo precioso néctar alentejano e aconchegadas pela sericaia. Sem palavras!
De volta à minha Lisboa retenho imagens, sons, perfumes e conversas que me “acrescentaram”. Dentro de mim, brindo à Amizade.
Baterias recarregadas, amanhã mergulho de novo na vida.
"Não vejo, sem pensar."
(Fernando Pessoa, O Livro do Desassossego)

terça-feira, 1 de abril de 2008

Dia das Mentiras...



O Anterozoide no seu melhor!
http://antero.wordpress.com/

Ela...


Imediatamente, sem reflectir, aceitou o convite para jantar.
Dois segundos depois sentiu o coração a bater desordenadamente.
Arrependida, não teve coragem de desmarcar. Sentou-se, parou e reflectiu. Acabara de aceitar sair com um homem de que apenas sabia o nome próprio, o e-mail, o telemóvel e dava-lhe para a mão a sua morada.
Não se reconheceu, mas a curiosidade e 20 dias de uma história inventada a duas mãos, bem construída, recheada de desencontros, jogos de sedução, apontamentos sentidos e poesias bem escolhidas, aguçaram-lhe o apetite.
Quem estaria do outro lado daquele monitor colorido que nas últimas semanas a tinha deixado pregada, com pressa de chegar a casa e a tinha feito sorrir como há muito não o fazia?
Quem seria esse homem misterioso pelo qual tinha palmilhado Praga à procura de um cyber café e jogado desesperadamente ao “gesto é tudo” para conseguir, do surpreendido checo, uma impressão das últimas palavras de um Café Inventado.
Como seria aquele homem que transpirava sedução?
Um jantar é um jantar e a conversa adivinhava-se interessante, nada de mal lhe podia acontecer... pelo menos era o que sentia.
O calor estava sufocante, relaxou debaixo do chuveiro, sentiu a água a arrefecer o seu corpo.
Espalhou o creme com cuidado, escolheu um par de jeans desbotados e vestiu uma camisa branca com bordados com que se sentia bem.
Realçou os olhos, colocou o seu perfume preferido no pescoço, entre os seios, olhou-se ao espelho.
Aguardou com o coração aos pulos, ainda meia desconfortável com a decisão que tomara.
Uma sms anuncia a chegada, fecha a porta de casa entra no elevador e sente os benefícios da adrenalina.
À sua espera, um príncipe!
Inundou-a, de mimos, de palavras com sentido, de vida...

A noite estava fantástica, estrelada, quente, de lua cheia.
Ela...
Sentiu o calor do momento, do excelente “duas quintas” e do abraço inesperado.
Caminhou descalça naquele deck perfeito com as sandálias na mão.
A cabeça e o corpo em lugares opostos dos sentidos.
Ele...
Um dia partiu, livre como tinha chegado, no seu cavalo alado.
E, Ela acordou...

segunda-feira, 31 de março de 2008

sexta-feira, 28 de março de 2008

"Antes de Começar"...

(...)
"A BONECA - Mas tu não vês que eu sou pequenina... que não tenho forças... que eu não sou como o mar que não se gasta!... tu não vês que eu passo depressa?

O BONECO - Por mais depressa que passes, o teu coração espera por ti... o teu coração não espera mais ninguém... Se tu não vieres, o teu coração não espera mais ninguém... Se tu não vieres nunca, o teu coração não conta, não ouve. É como se não tivesse havido coração. Por mais depressa que passes, dá-te inteira ao teu coração... Porque só sabe do tempo quem não traz coração... o tempo é pecado de quem não sabe amar!!!

A BONECA - Ah!... é assim, juro! É exactamente assim que bate o coração!

O BONECO - Acredita no coração! Ele sabe de cor o que quer!... Não foi necessário ao coração ir aprender o que queria... A nossa cabeça é que precisa de aprender o que quer o coração!

A BONECA - É assim que bate o coração...

O BONECO - O coração nunca está só... O nosso coração é nosso, ele não pode viver sem aquele a quem pertence... ele espera por nós!

A BONECA - Às vezes, a cabeça quer ser mais do que o coração... e fica de costas viradas p'ro coração!

O BONECO - A cabeça não deve ser senão o que o coração quiser! Nunca é o coração que nos falta, somos nós que faltamos ao coração!

A BONECA - Ah!... é assim, juro, é assim que bate o coração!...

O BONECO - Só não entende o coração quem não sabe escutá-lo... ele está sempre a contar aquela hora por que se espera... aquela hora que existe p'ralém da sabedoria... e que tem a forma simplicíssima dum coração natural!...

Excerto da peça “Antes de Começar”, de Almada Negreiros
(muito bonito Luzinhas Epeciais e Sempre Atentas... Hoje é o Dia)

quinta-feira, 27 de março de 2008

Quem tem Mãe tem tudo...

O jantar estava fantástico.

Aniversário...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a.olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui - ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas - doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .

Pára, meu coração!
Não penses!
Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

Álvaro de Campos 15-10-1929

quinta-feira, 20 de março de 2008

Primavera...



Olhos postos na terra, tu virás
no ritmo da própria primavera
e como as flores e os animais
abrirás as mãos de quem te espera.

Eugénio de Andrade

quarta-feira, 19 de março de 2008

Dia do Pai...



Hoje é um dia diferente!
Hoje tenho o meu pai comigo, não só no meu coração.
Os nossos Pais deveriam ser sempre únicos.
Os meus Pais são únicos.
O meu Pai é único.

Hoje, não pude deixar de pensar na Maria.
Pensei nas Marias deste país.
Quando hoje a Maria chegar a casa, pode ser que não tenha o “pai” empunhando o cabo da vassoura, a marcar este dia. Ou pode ser que tenha...
O que sentirá ela se tiver que comemorar o Dia do Pai?
No meu dia a dia, são os casos de maus tratos, os mais difíceis, os que mais me arrasam profissionalmente. Fico pouco tolerante, tenho tendência a esquecer-me da velha máxima académica de que “o agressor também foi vítima”.

Porque hoje é “Dia do Pai” e ainda estou muito “mexida” pela Maria, lembrei-me do meu primeiro caso: Uma criança de 6 anos espancada pelo “pai”, por um qualquer motivo fútil.
Uma coisa é ler nos livros, estudar formas de intervenção, lidar com agressor e agredido, avançar para a denúncia e negociação com a família, tudo explicado em letra de forma e com as partes fundamentais sublinhadas. Outra é ver o corpo de uma criança marcado e ouvir os pais que invariavelmente alegam supostas quedas para explicar as marcas que falam por si.
Eu, uma jovem profissional com pouca experiência, aguentei-me como pude, seguindo as regras frias do manual, que ensina tudo, menos a lidar com a paleta de cores pelas quais passam os nossos sentimentos numa situação como esta.

Lembro-me que quando cheguei ao carro trazia o mundo em cima dos ombros, a alma doída e desabei num choro incontrolável.
Senti necessidade de ligar ao meu Pai e de lhe transmitir como eu me sentia afortunada por tê-lo como Pai.
Do outro lado, a disponibilidade incondicional de sempre, a voz baixa, contentora, serena que até hoje me tranquiliza.
“Também é muito bom ter uma filha como tu”. Nunca me esquecerei desse dia.

Hoje, muitos sentirão saudades e celebrarão lembranças, vivências, momentos especiais. Outros quererão esquecer-se que algum dia tiveram um pai.

Meu Pai, obrigada!
Obrigada por tudo o que me foi passando ao longo da minha vida.
É muito bom ser sua filha.
(a foto - bailarina feita pelo meu Pai para mim)

Parabéns Hot Clube de Portugal...

Hoje o Hot Clube de Portugal faz 60 anos!
Continuo a gostar...
... de descer aquelas escadas estreitas, daquele local mítico e bafiento;
... do ambiente ecléctico, dos bancos desconfortáveis;
... de bater o compasso com os pés, enquanto saboreio o meu Favaios;
... de deixar que as improvisações me alimentem e me emocionem por dentro.
Um lugar onde o Jazz ainda é rei.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Ah, Les beaux esprits...

é que

s'as flores não são do campo e s'os amores só são de pranto
como dizia o outro
venh'o diabo e escolha qu'eu não sei assim tanto...

Salvador Nogueira
(um querido amigo)
In “as voltas dadas ao texto”. Hugin.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Momentos que valem a pena...

Numa destas noites vivi momentos especiais!
O local, um ícone da gastronomia portuguesa, “Adega das Gravatas”.
Os sabores perfeitos, desde as entradas, aos nacos, ao polvo na chapa regado com bom azeite, às sobremesas, aguçaram os apetites mais exigentes.
O vinho, encorpado, delicioso, escolhido por quem sabe e é atento ao prazer da degustação.
A companhia, as conversas, os sorrisos, as trocas de vida, encheram o tempo que não pareceu tempo
Pessoas bonitas por dentro, inteligentes, partilhas sentidas, conversas, momentos especiais que fazem a vida valer a pena.

“Há as pessoas que nos são indiferentes, há as pessoas que nos diminuem e há as pessoas que nos acrescentam” (João Lobo Antunes).

Tenho a sorte de ir tropeçando e de ter à minha volta, cada vez mais, pessoas que me acrescentam.

A repetir!

quinta-feira, 13 de março de 2008

Olhar, mais além...

XI
Não te analises.
Não procures no perfume das flores
a tempestades das raízes.
Nem queiras
desatar o fumo
do carvão das fogueiras.
Ama
com ossos de cinza
e cabelos de chama.
E deixa-te viver
Em rio a correr…

(de Poeta Militante II, 1978)
José Gomes Ferreira
Copiado do
http://ruialme.blogspot.com/

sábado, 8 de março de 2008

À Francisca...

Que nasceu hoje neste Dia da Mulher, uma bebé muito desejada por um casal muito especial e de quem gosto muito.
Muitas felicidades.

Dia da Mulher...

I
A porta da rua bateu com força, mais uma vez chegou a casa mal disposto, provavelmente cheio de vinho, o dia não lhe correu bem.
Continuei a fazer os meus trabalhos, a porta de saída para a minha vida. Alheada dos gritos entre os dois, estoirada, depois de ter feito os dela, como sempre, para entregar no curso do IEFP e justificar o subsídio de desemprego. Há anos que ela não fazia nada, nem procurava fazer.
Os gémeos choravam.
II
Os gritos e as vozes deles aumentaram e aproximaram-se do meu quarto.
- Maria porque é que não fizeste o jantar, eu disse-te para limpares o pó do meu quarto, o teu pai está furioso contigo, não fazes nada. Vês, eu não te digo que ela é uma inútil, uma preguiçosa, tens que a castigar – gritava ela vermelha.
- Vem imediatamente fazer o jantar, ou não sabes o que te acontece, tenho fome.
Senti-o descontrolado e temi o pior.
Tarde demais, entraram os dois no meu quarto, ele à frente transfigurado de raiva, de vinho e com o cabo da vassoura empunhado. Adivinhando o pior, tentei fugir mas fiquei encurralada.
III
Não sei quanto tempo depois voltei a mim, no chão. A cabeça latejava, as dores eram insuportáveis. Eles olhavam para mim. Os gémeos gritavam na sala.
- Temos que a levar ao hospital, não parece bem.
- Vai tu.
IV
- Estas marcas no ombro e nas costas estão muito feias e a pancada da cabeça preocupa-me, poderá ter consequências. Traumatismo craneano. Uma queda Maria?
- Pois senhor doutor ela caiu – disse ela encenando a sua voz mais preocupada.
- Tens a certeza que caíste Maria?
Olhei para ela, para o médico e balbuciei com a voz trémula e pouco convicta:
- Sim caí - E rezei para que ele não acreditasse.

Mas ele acreditou... ou quis acreditar!

Fechei os olhos e pensei pela milésima vez na frase mágica que me dá força quando o corpo e a alma me doem:

“Já só faltam 2 anos para a minha vida começar!”

____________________________

Esta é uma história real. Passada em Lisboa, 2008. Uma das muitas situações com que infelizmente sou obrigada a lidar, no meu dia a dia profissional.
Serei feliz no dia em que não for necessário comemorar um
Dia Internacional da Mulher.

Poema do amigo aprendiz...



Quero ser o teu amigo. Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...

Padre Zézinho

sexta-feira, 7 de março de 2008

Aos meus AMIGOS...

Hoje acordei e senti muitas saudades vossas.
Sou Feliz por vos ter...
Mesmo quando não vos vejo...
Mesmo quando não vos sinto por perto...
Mesmo quando há um oceano pelo meio,
uma rua, um amor ou a correria dos dias.
Sou o que sou, também porque existem...
É bom ter-vos a todos na minha vida!

(está lamechas mas não faz mal)