segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Titanic...

(clicar na imagem para aumentar)
Uma exposição comovente!
Carota, apesar do desconto do ACP.
Mergulhei no inicio do século XX, com todo o seu dinamismo e avanços tecnológicos, política e organização social. Participei nos sonhos e na luta por uma vida melhor das 2228 pessoas que embarcaram no mítico Titanic, através das suas histórias e objectos resgatados das águas profundas do oceano.
Uma exposição interessante porque distante do nosso tempo e pela oportunidade de conhecer o enquadramento e a história da construção do barco mais famoso do mundo, bem como, pela curiosidade das peças expostas.
Uma exposição muito bem montada, recheada de sons, cheiros e ambientes reconstruídos onde nos sentimos passageiros.
É uma exposição afectiva, não nos deixa indiferentes.
A cada visitante é entregue a réplica de um bilhete de embarque que nos conta as motivações de um passageiro que entra no local errado à hora errada. Não deixa de ser um pouco angustiante apesar de interessante.
A moral: A vida é frágil.
Dedico este post ao Téllo, apaixonado pelo Titanic, no dia do seu níver.
O balanço foi positivo.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

B de Berardo...


Goste-se ou não do Joe Berardo, é por causa dele que nos podemos deliciar com as várias exposições de arte moderna e contemporânea, em plena Lisboa com o Tejo por fundo, gratuitamente, sete dias por semana.
É certo que não podemos entrar de mochila, queixa que li num blog por aí, mas podemos fotografar e usufruir todas as experiências que nos são oferecidas.
Entrei pela mão de uns queridos amigos, duas simpáticas americanas e deixei-me levar pelo espaço e pelo tempo que por lá passei.
Fiquei contente porque os portugueses podem ver o que só se via fora de portas. Em 2001 entrei pasmada no Stedelijk Museum de Amesterdão achando ter pisado num outro mundo, apesar de ter tido a sorte de entrar em alguns dos melhores museus de arte moderna da Europa, Centro de Arte Moderna da Gulbenkian incluído. Foi aqui que contactei pela primeira vez com as famosas "instalações" (uma manifestação artística onde a obra é composta de elementos organizados em um ambiente fechado e cuja disposição de elementos no espaço tem a intenção de criar uma relação com o espectador - fonte Wikipedia) e lembro-me de ter ficado perplexa com um pequeno filme de um homem a "barbear" um cato com uma máquina de barbear eléctrica. A exposição que visitei "Arriscar o Real", não fica atrás e é uma aventura percorrer o labirinto recheado de sensações artísticas. Picasso e Joana Vasconcelos estão por lá.
Dois dias depois voltei com o meu sobrinho de 8 anos, descobri novas peças e deliciei-me com o comentário do rapaz que de olhos arregalados assistia a um pequeno filme de dois homens a apedrejar um frigorífico dos anos 50: "e não foram presos?"
Aqui não ficamos indiferentes!
Museu Berardo um lugar a revisitar sempre!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Dias tranquilos em VNM...


Vila Nova de Milfontes (VNM) continua linda e cheia de recantos naturais muito especiais. Foram dias descontraídos, ao sabor das vontades e em muito boa companhia. Dias recheados de boas conversas, umas profundas outras nem tanto mas sempre partilhadas com boa disposição.
Na verdade VNM podia estar menos cheia de pessoas, mas nem isso atrapalhou a nossa estadia.
Fiquei a saber que VNM é a terra das três mentiras: não é Vila, não é Nova e não tem mil fontes. Mas, desde cedo que é apelidada "Princesa do Alentejo".
Palmilhámos praias e lugares lindíssimos, retirados das vivências e da infância da nossa anfitriã. Gostei especialmente do Moinho da Asneira um local que passa calma e convida à reflexão. O arroz de Tomate em frente à praia ficou na memória.
Aqui ficam algumas fotos.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Lisboa acompanhada...

Adoro a cidade onde nasci mas são raras as vezes que a olho com olhos de ver.
No nosso dia a dia agitado não nos apercebemos da sua beleza.
É preciso estar de férias e acompanhadas por outras pessoas que pisam Lisboa pela primeira vez, para nos reencantarmos com ela.
Aqui ficam alguns momentos especiais partilhados com amigos também especiais e com duas americanas muito simpáticas que ainda nos fizeram entusiasmar mais com a nossa Lisboa.

sábado, 15 de agosto de 2009

O Amolador...

Gosto de morar aqui!

Hoje acordei suavemente ao som do amolador.
A gaita de 6 ou 8 vozes, vai deixando escapar de forma compassada, um sonido resgatado aos meus tempos de criança.
Um som que anuncia a chegada deste homem enrugado e de cabelos brancos, de mãos artesãs que do velho fazem novo.
Não sei se faz negócio por estas bandas, mas a sua passagem reconforta-me, transporta-me a uma Lisboa antiga de cheiros e pregões da minha infância.

Fico a ouvi-lo afastar-se muito lentamente, como quem não tem pressa de avançar no tempo...

E, ainda há pardalitos que cantam e vêm até à minha varanda à procura de migalhas.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Férias, a palavra mágica...



Tempo de gerir o tempo ao nosso tempo!

Haverá algo melhor?

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Leituras...


Um livro de Irvin Yalom, o primeiro livro que li deste psiquiatra. Um romance de ficção que ganhou o prémio Commonwelth.
Gostei muito do livro porque ele retrata muito bem temas que me são familiares e tem a coragem de revelar os bastidores das sociedades científicas que nem sempre são "bonitos" (o poder dos tais lobys, raramente por causas nobres).
Uma trama bem construída e provocante entre terapeutas, pacientes, mulheres, amigos, que empolga até à última página. Tem uma mensagem interessante: quem quer "apanhar", por vezes é "apanhado".
É o outro lado da psicoterapia, a cabeça do psicoterapeuta, o homem, com as suas dúvidas, vivências, profissionalismo, ética e limites.
O balanço é positivo para o lado da terapia que ganha pontos e se calhar encoraja muitos leitores virgens nestas andanças a procurar desbravar caminho no mundo fascinante da mente.
Invin Yalom caiu-me no goto. Apetece-me passar para "A Cura de Schopenhauer", um dos seus livros onde se aborda o balanço da vida pessoal e de trabalho, perante a morte eminente.

domingo, 26 de julho de 2009

Eu estive lá...


Os "The Killers" conseguiram pôr o Estádio do Belenenses ao rubro nesta música. Fiquei quase rouca e não tenho idade para isto. O Verão é fantástico!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Missiva

AS MÃOS

Margens derivam. Lisura
das mãos, não rígidas. Rectas.
Nem açude: a que submetas,
torrencial, a ternura.
Murmulho. Espuma: fervente
caudal! Paralelamente,
ternas, derivam. E as horas
nas palmas brancas esquivo.
Ah, mãos? Nunca agarradoras
do coração fugitivo.

Jorge Amorim

(de A Beleza e as Lágrimas, edição do Autor, 1957)

In http://ruialme.blogspot.com/

sexta-feira, 3 de julho de 2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Missiva...

"A Recordação é uma arte que vem
da solidão e do silêncio."
Johnny Guitar

terça-feira, 30 de junho de 2009

Pina Bausch...

Impossível ficar indiferente.
Inventou uma outra linguagem corporal, muito para além da dança, capaz de nos emocionar.
Saudades do Ballet Gulbenkian.
Que pouco se tem feito em Portugal por esta arte sublime...

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Eu estive lá...

No meio das 60 000 pessoas, de olhos arregalados, assisti à performance original deste Peter Pan da música Pop que hoje parte, finamente em paz, para a Terra do Nunca.

sábado, 20 de junho de 2009

Em dia de marcha Gay por Lisboa...

(Foto de Tiago Petinga)
Gostaria que...
... as pessoas fossem apenas consideradas Pessoas.
... os credos, a cor da pele, a orientação sexual, fossem sinónimos de riqueza do ser humano e não de sofrimento / discriminação / bullying.

Estamos no século XXI!
(apetece-me continuar)
“Há as pessoas que nos são indiferentes, há as pessoas que nos diminuem e há as pessoas que nos acrescentam” (João Lobo Antunes).
E eu acrescento a esta magnífica frase:
Independentemente dos credos, da cor da pele e da orientação sexual dessas pessoas.
(ainda me apetece continuar mais)
Gosto desta foto, desprovida de penas, fantasias e exageros cénicos, tão colados à causa gay.

sábado, 13 de junho de 2009

E não é que já tenho saudades destes "diabinhos"...

É também por eles que gosto de acordar todas as manhãs...

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Lealdade...

"Há quanto tempo tu não ouves falar em lealdade?"

Perguntou-me hoje um amigo.
Fiquei pensativa...
LEAL - Conforme a lei; fiel; sincero; franco.
O mais importante de tudo, é que gostei de ouvir a tua voz!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Monólogos da Vagina...

Eve Ensler escreveu.
Ana Brito e Cunha
Guida Maria
São José Correia
Interpretaram.

"... é uma peça de sucesso mundial, com apresentações em mais de 120 países e traduzida em mais de 45 línguas, baseada em entrevistas realizadas pela autora a mais de 200 mulheres de todo o mundo e diversas realidades. A peça narra histórias do quotidiano feminino, revelando intimidades, vulnerabilidades, temores e vitórias próprias deste universo. Com um título propositadamente irreverente, a peça pretende chamar a atenção para assuntos tão particulares como a violação, a menstruação, a mutilação, o prazer, as infidelidades conjugais ou as terapias de grupo..."
Achei original a forma de abordar assuntos infelizmente ainda tão "escondidos".
Homens e mulheres sentem certamente esta peça de forma diferente, o que poderia dar uma discussão interessante.
Gostei.
Vale a pena.

domingo, 31 de maio de 2009

E o Globo vai para...


... para o estilista de Guimarães, Rafael Freitas!

(e não só, claro!)

domingo, 24 de maio de 2009

Charles Darwin...


Por ele quase enveredei pela carreira de Bióloga. Talvez, se não vivesse em Portugal...
Darwin, personagem fascinante na área da Biologia, pai da teoria da evolução das espécies.
Encerrou hoje a magnífica exposição em sua honra na Fundação Calouste Gulbenkian.
Uma exposição bem conseguida que nos vai guiando pelo percurso pessoal e profissional deste homem de visão, numa área a que se dava pouca importância na sua época.
O seu livro "A Origem das Espécies" foi tão polémico como a descoberta de Nicolau Copérnico "A Terra gira à volta do Sol".
Um homem que não cruzou os braços e lutou pelo reconhecimento das suas descobertas.
"... Infinitas formas tão belas e tão admiráveis, evoluíram, e continuam a evoluir".
Gostei muito do que vi e quem não teve a sorte de visitar esta exposição na Fundação Calouste Gulbenkian, tem à sua disposição o catálogo "A evolução de Darwin" com excelente qualidade gráfica e que ilustra o período antes, durante e depois das descobertas de Darwin.
******
De noite a ouvir um amigo ligado àquela casa reflecti: Como em tudo na vida não há bela sem senão!

sábado, 16 de maio de 2009

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Não esquecer...


“Ainda que os teus passos pareçam inúteis, vai abrindo caminhos, como a água que desce cantando da montanha. Outros te seguirão...”
(Antoine de Saint-Exupery)

sábado, 25 de abril de 2009

sábado, 18 de abril de 2009

A mulher sem cabeça...

Um filme intrigante de uma discípula de Almodovar, Lucrecia Martel.

Uma viagem ao interior de uma mulher de meia idade.

Um filme que suscita discussão. Será que ele é percebido da mesma forma por homens e mulheres?

"Verónica vai ao volante do seu carro quando num momento de distracção sente que atropela qualquer coisa. Nos dias seguintes, sente-se a desaparecer, sente-se estranha às coisas e às pessoas que a rodeiam, aluada. Confessa ao marido que se calhar atropelou alguém, regressa ao local do acidente, mas só descobre o cadáver de um cão. Porém, quando a vida parece regressar à normalidade, um cadáver é descoberto..." (In Público).

Este é o primeiro filme que assisti onde nada se passa na grande tela, mas sim dentro de nós mesmas. O filme começa quando se sai da sala. E se levarmos uma companhia para uma boa discussão, melhor!

Não me deixou indiferente, talvez porque a minha meia idade se aproxima.

Mais uma excelente dica, certeira, do meu amigo AC.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Realidade...

Tantos livros que ainda não li...

domingo, 12 de abril de 2009

Uma Páscoa tranquila e com saúde para todos...

Apeteceu-me um cliché, porque não!
:-)

sábado, 11 de abril de 2009

Vamos a melhorar este cantinho, por favor...

Infelizmente colocaram um eco ponto à porta da minha casa.
A intenção era certamente boa, reciclar, melhorar o ambiente, etc., etc..
Na prática passei a morar ao pé de uma lixeira e neste mês em que se paga o IMI, sinto-me revoltada.
Pago para morar ao pé de pessoas , que pasme-se também moram aqui e se sentem bem com a sua consciência a sujar o que é delas e dos outros.
Para os meus amigos de terras do Cruzeiro do Sul, esclareço que a CML tem à disposição dos senhores munícipes um nº de telefone que se liga e vêm gratuitamente recolher o lixo maior, à porta de cada um.
Ontem, na A5, seguia atrás de um Audi (talvez isto também diga algo), fui brindada por um maço de tabaco vazio que quase me bateu no carro, logo de seguida o invólucro de plástico do novo maço, voou na minha direcção. Buzinei, apenas uma vez, indignada, recebi um amável dedo fora da janela numa posição pouco recomendável.
E há ainda aqueles que em tempo de crise, roubam os anéis da mão de quem lhes dá emprego!
Como diz o meu pai: "É o que temos!"
Este breve desabafo é partilhado ao mesmo tempo que estou a ouvir uma entrevista com António Barreto que brilhantemente diz: "Qualquer coisa em Portugal demora muito, muito tempo. Parece que somos um país cansado"
Pelos vistos estamos cansados, até de cuidar de nós!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Esta noite improvisa-se...

Uma noite fantástica a quebrar a minha rotina confusa.
Por uma boa causa e em boa companhia.
A primeira peça de Pirandello que assisti.
Uma encenação excelente para um texto rico.
Trinta e dois actores em palco a dar vida a duas histórias numa.
Um, dois em um que nos faz reflectir sobre o mundo do trabalho e o nosso "mundinho".
O teatro, no teatro que é a vida.
Não há tempo para respirar, o espectador entra na peça e no que se passa fora dela num vai vem constante, passeia-se entre os actores, emociona-se e revê-se nas histórias de vida de cada uma das personagens.
Todos os actores são "grandes" mas a Sílvia Filipe consegue angustiar-nos com a sua "Mommina".
Nota 10!
O Teatro D. Maria II, concorde-se ou não com a nova direcção encabeçada por Diogo Infante, está de parabéns.

sexta-feira, 27 de março de 2009

terça-feira, 24 de março de 2009

O Noddy faz 60 anos...


Como já devem ter reparado, ando sem grande inspiração.

Se a Barbie não fez parte da minha infância, já o Noddy esteve sempre presente, nuns livros fantásticos e muito coloridos que a minha prima Ana tinha e que eu "devorava".

Quem se lembra?

sábado, 21 de março de 2009

Chegou, finalmente...



ANUNCIAÇÃO

Surdo murmúrio do rio,
a deslizar, pausado, na planura.
Mensageiro moroso
dum recado comprido,
di-lo sem pressa ao alarmado ouvido
dos salgueirais:
a neve derreteu
nos píncaros da serra;
o gado berra
dentro dos currais,
a lembrar aos zagais
o fim do cativeiro;
anda no ar um perfumado cheiro
a terra revolvida;
o vento emudeceu;
o sol desceu;
a primavera vai chegar, florida.


Miguel Torga

segunda-feira, 9 de março de 2009

domingo, 8 de março de 2009

Dizer Mulher...

Retrato de uma princesa desconhecida
Para que ela tivesse um pescoço tão fino
Para que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule
Para que os seus olhos fossem tão frontais e limpos
Para que a sua espinha fosse tão direita
E ela usasse a cabeça tão erguida
Com uma tão simples claridade sobre a testa
Foram necessárias sucessivas gerações de escravos
De corpo dobrado e grossas mãos pacientes
Servindo sucessivas gerações de príncipes
Ainda um pouco toscos e grosseiros
Ávidos cruéis e fraudulentos
Foi um imenso desperdiçar de gente
Para que ela fosse aquela perfeição
Solitária exilada sem destino
Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Leituras...

Fiquei curiosa com o entusiasmo de um amigo ao falar sobre o livro.
Confesso que durante uns tempos ficou adormecido na prateleira dos livros em lista de espera. Numa tarde chuvosa dei-lhe uma oportunidade.
“Vazio Infinito”, um livro premiado escrito em 1974, por Philip K. Dick, autor de “Blade Runner – Perigo Iminente” adaptado ao cinema que exibe um Harrison Ford sem rugas.
Foi a primeira vez que mergulhei na leitura de um livro de ficção científica. O exercício é interessante. As pessoas, não são bem pessoas mas versões, seis e sete. Os quibble são carros voadores, os estudantes vivem debaixo do solo e são vistos como criminosos, acabando os seus dias nos campos de trabalhos forçados quando caiem nas malhas policiais ou implantam-lhes micro transmissores para recolher informações do submundo. Num mundo do futuro, as músicas estão guardadas em vinil ou numa vídeo cassete e as siglas CD e DVD desconhecidas. As fotografias dos documentos de identificação e as televisões, são 3D.
O tema cativa, um artista televisivo com trinta milhões de espectadores e admiradores, bem na vida, acorda um dia e descobre que não tem identidade, não existe na sociedade em que vive. Resta-lhe um fato de seda feito por medida (um dos dez no mundo inteiro), cinco mil dólares no bolso amarrotado e o novo estatuto de homem invisível.
Quando cheguei à última página fechei o livro e magiquei: só existimos na medida em que os outros que amamos e nos amam existem, privados das nossas referências lutamos activamente para as reencontrar, reencontrando-nos.
Gostei.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Dia dos Namorados...

Conta-mo outra vez
Conta-mo outra vez: é tão bonito que não me canso nunca de escutá-lo.
Repete-me outra vez que o par do conto foi feliz atá à morte.
Que ela não lhe foi infiel, que a ele nem sequer lhe ocorreu enganá-la.
E não te esqueças de que, apesar do tempo e dos problemas, continuaram beijando-se cada noite.
Conta-mo mil vezes por favor: é a história mais bela que conheço.
Amália Bautista (1962)
O amor
é uma ave a tremer
nas mãos de uma criança.
Serve-se de palavras
por ignorar
que as manhãs mais limpas
não têm voz.

Eugénio de Andrade

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

1904...

Hoje lembrei-me dos lanches de amigas, dos anos da minha avó.
Desde cedo, a casa cheirava a cera, a bolos e tudo era azáfama à minha volta.

No início da tarde começavam a chegar, sempre alegres, bem dispostas, perfumadas e vistosas, envoltas em conversas e novidades, as "raparigas da sua idade" porque "velhos são os trapos" como costumava dizer.
Eu, misturava-me no doce tagarelar, nos sabores e nas cores dessas tardes anuais, deliciada.
Hoje, queria ter comprado uma flor, simples, delicada, bonita e perfeita... como ela era!