quarta-feira, 16 de maio de 2007

Amizade...

"(...)
- Como vai ser, quando não puder mais falar? - perguntou Koppel.
Morrie encolheu os ombros.
- Talvez venha alguém que me faça perguntas tipo sim ou não.
Era uma resposta tão simples que Koppel teve que sorrir. Perguntou a Morrie sobre o silêncio. Mencionou um querido amigo que Morrie tinha, Maurie Stein, que tinha primeiro enviado os aforismos de Morrie ao Boston Globe. Tinham estado juntos, em Brandeis, desde o princípio dos anos sessenta. Agora Stein estava a ficar surdo. Koppel imaginava os dois homens um dia juntos, um sem poder falar e outro sem poder ouvir. Como seria?
- Daremos as mãos. - disse Morrie - E haverá imenso amor passando entre nós. Ted, temos trinta e cinco anos de amizade entre nós. Não é preciso a fala ou a audição para sentirmos isso.
(...)" In, Albom Mitch (1997). As terças com Morrie. Sinais de Fogo. pp 91

5 comentários:

Anónimo disse...

Gostava de me permitir dizer,de forma simples mas sentida, que seria tão bom que aqueles como nós que subscrevemos a mensagem implícita neste texto fosse coerentemente sentida, de verdade!

Sim, de facto, acredito por vezes ser importante ser assertivo pelo menos na forma de sentir, já que nem sempre o é na forma de pensar.

A Amizade,acredito, está entre essa ideia da "omnipresença", e ,também aceito pacíficamente -,em tempo e espaços de uma maior aproximação física, onde se poderão consubstanciar esses SENTIRES.

Teka disse...

A Amizade... um conceito muito especial.
Concordo em parte com as suas palavras.
A Amizade pode ser “omnipresente”, também concordo com a ideia.
Mas o texto entra por um caminho com o qual eu me identifico mais: não há palavras, não há o ouvir, mas há a MÃO... há sempre qualquer coisa que um e outro sabem que existe.
Há sempre um canal aberto para se poder sentir, numa amizade. É isso que faz da amizade um lugar muito especial, quentinho, porto de abrigo de afinidades, de partilha de almas, de actualização permanente de conceitos.
Lembro-me de uma amiga que nunca mais vi desde a minha juventude. Penso nela recorrentemente, mas penso como ela era, como éramos almas gémeas. A vida afastou-nos física e psicologicamente. Fomos amigas, não somos amigas.
O que faz uma amizade prevalecer no tempo e no espaço?
Os silêncios, não consentidos, não são certamente.
Este é um tema interessante.
A Amizade é, na sua essência a mais pura manifestação do Amor livre. É em “relação” que ela nasce, cresce e vinga.
Mas quem sou eu...

Disserte sempre caro Anónimo...

Teka disse...

Outro escrito sobre o mesmo tema.

"O desperdício
É perturbador encontrar um amigo íntimo que nos desleixou a amizade. Porque a velha química de novo se põe em marcha e a conversa flui. Como se não passasse do capítulo seguinte num livro feito de muitas noites, bastantes copos, alguns amores e dois homens a céu aberto. Mas não é verdade:(. O coração abre-se; como ele o caixote das recordações e a caixa dos afectos. Mas a caixinha da confiança cega, no interior de tudo o resto, permanece intransigente. A chave apodreceu, de tanto esperar...
É muito bom o reencontro! Mas se voltarmos a viajar juntos cada um dormirá no seu quarto. E encontrar-nos-emos de manhã, na sala do pequeno-almoço, como os excursionistas japoneses, delicados e munidos das suas máquinas fotográficas. Porque a amizade, quando mostra as garras, furiosa por ter sido desperdiçada, pode revelar-se bem mais severa do que o amor."
(Júlio Machado Vaz, in blog Murcon)

Há tantas versões para o mesmo tema :-)

Teka disse...

E há ainda o conceito de Amizade desleixada...

Com este já não concordo porque só se desleixa aquilo que deixa de fazer sentido...

eu, disse disse...

E há ainda quem não entenda nem respeite o conceito...
Há quem se esqueça da pureza do acto de entrelaçar as mãos e de que isso pode mesmo só significar sentir uma grande amizade...

Os ciúmes são para os fracos, para os doentes e lançam destruição à volta...